Visões liberais, agônicas e de catástrofe sobre o mundo atual

 

                                                                                                      

                                                                                                    Joaquim Luiz Nogueira


Visão Liberal Ocidental 

Esta visão defende as formas pacificadoras, neutralizantes e normalizadoras, espécie de noção positivista, cujo conhecimento se apresenta como abordagem objetiva (não parcial) da realidade. Nesta visão, não se inclui nenhuma espécie de risco de vida. Qualquer sinal deste aspecto, logo é visto como suspeito e irracional, portanto, descartado. 

“Foucault caracterizou como “as formas pacificadoras, neutralizantes e normalizadoras do poder ocidental moderno” – é ideologia no seu estado mais puro: a ideologia do “fim da ideologia”. Por um lado, temos o conhecimento-especialista não ideológico “objetivo”, por outro, temos indivíduos dispersos, cada um dos quais está focado em seu “cuidado de si” idiossincrático (termo que Foucault usou quando abandonou sua experiência iraniana), pequenas coisas que dão prazer à sua vida. Desse ponto de vista do compromisso universal, o individualismo liberal, especialmente quando inclui risco de vida, é visto como profundamente suspeito e “irracional”. (Slavoj Zizek) 


Visão Agônica 

Trata-se de uma visão movida a partir da ansiedade, isto é, da perspectiva de uma dada recompensa advinda de uma crença. Portanto, uma posição subjetiva, porém, engajada, por exemplo, em ganhos prometidos pelo martírio do indivíduo, que são impregnados na vida dele. A verdade a partir da ansiedade, que se transforma por meio da luta e da provação. É um discurso da perspectiva, cuja totalidade desta visão ocorre quando se atravessa seu ponto de vista próprio. 

A manifestação da verdade ocorre só a partir de sua posição de combate, ou seja, do ideal de vitória buscada, mesmo que esteja no limite da sobrevivência. A verdade é acessível a partir da posição subjetiva e particular do indivíduo. O conhecimento ocorre mesmo que o sujeito esteja engajado na luta pela sua visão agônica. Neste caso, o foco surge a partir do cuidado de si, isto é, de pequenas coisas que dão prazer a sua vida. 


“Ela deixa de captar a diferença chave entre a crença no sentido de insight intelectual (“Eu sei que irei para o céu, é um fato”) e a crença como uma posição subjetiva engajada. Em outras palavras, é incapaz de levar em conta o poder material de uma ideologia – neste caso, o poder da fé – que não se baseia apenas na força de nossa convicção, mas em como estamos diretamente comprometidos existencialmente com nossa crença. Não somos sujeitos escolhendo esta ou aquela crença, nós somos a nossa crença no sentido em que essa crença impregna nossa vida”. Slavoj Zizek 


Visão da catástrofe 

Nesta visão, o engajamento das pessoas assume um compromisso coletivo por uma vida melhor. Trata-se de um espírito coletivo, onde todos estão engajados, ou seja, comportamento semelhante ao que ocorre diante de uma catástrofe, tais como: furacão, tsunami, aquecimento global, pandemia, etc.  Nestas ações coletivas cobram dos indivíduos várias formas de martírios, entre eles, o sacrifício, isto é, tem que superar a vida de prazeres de si e aderir ao profundo engajamento coletivo.


“um compromisso coletivo por uma vida melhor. Após o triunfo do capitalismo global, esse espírito de engajamento coletivo foi reprimido, e agora essa postura reprimida parece retornar sob a forma de fundamentalismo religioso”.” É possível imaginarmos um retorno do reprimido em sua forma adequada de engajamento emancipatório coletivo? Não só é possível, como ele já está batendo à nossa porta – e com força. Mencionemos apenas a catástrofe do aquecimento global – ela exige uma ação coletiva em grande escala que demandará suas próprias formas de martírio, o sacrifício de muitos prazeres aos quais nos acostumamos. Se realmente quisermos mudar todo o nosso modo de vida, o “cuidado de si” individualista que gira em torno do uso dos nossos prazeres terá que ser superado. Por outro lado, a tecnocracia da ciência especializada por si só não resolverá o impasse – terá de ser uma ciência enraizada no mais profundo engajamento coletivo” (Slavoj Zizek)


Conclusão 

 

Estamos vivendo numa visão de catástrofe (pandemia) com as pessoas sendo engajadas em comportamentos coletivos com sacrifícios e martírios para os indivíduos em nome do novo espírito coletivo, chamado de “novo normal”.  A situação de catástrofe está sendo direcionada pela visão agônica de lideranças mundiais e nacionais, que aproveitam este momento de pânico gerado pela catástrofe da pandemia, no qual, aproveitam para moldar comportamentos e para criar e distribuir novas tecnologias, tudo isso, a partir de suas visões agônicas do mundo. Tais mudanças são colocadas em prática dentro de uma visão liberal, cujas autoridades e profissionais liberais, defendem essas novas medidas como formas normalizadoras, cujo conhecimento se apresenta como abordagem objetiva da realidade. 



Referências bibliográficas
FOUCAULT, Michel. 
Em defesa da sociedade: Curso no Collège de France (1975-1976). Tradução de Maria Ermantina Galvão. São Paulo: Martins Fontes, 2005, p. 61.
GAMEZ, Patrick. The place of the Iranian Revolution in the history of truth: Foucault on neoliberalism, spirituality and enlightenment. 
Philosophy and Social Criticism, v. 45, n.1, p. 96-124, set. 2018.

Fonte:

https://blogdaboitempo.com.br/2021/08/16/zizek-nossa-resposta-aotaliba/?fbclid=IwAR0Eu7tVfAdARLnMxsDXsbKSbV6R1EWzk3ULifsijuxy6Y9PTWiBPg6xgk

 

A Sétima Maneira de Viver a Vida



                                                                                                                         Joaquim Luiz Nogueira


Entre as muitas maneiras de viver a vida, temos as mais comuns, isto é: viver com fundamentação no amor, com prioridade nas escolhas, uso do perdão para se renovar, prática do altruísmo para dar sentido à vida, acreditar no destino como missão e a incorporação de verdades absolutas para cumprir objetivos.

No entanto, a sétima forma de viver se trata do “Sentir-se como um nada”, ou seja, anulação do ego individual. Quando admitimos que não existimos de maneira definitiva dentro de um corpo e que ali, atuam apenas como um avatar, cuja fonte de origem desta centelha psíquica que habita tal matéria situa-se em sua totalidade em um plano invisível, fora do alcance e da compreensão do indivíduo.


Neste sentido, ao refletirmos sobre as qualidades daquilo que alimenta a mente humana, logo, não temos como compreender o fato de caminharmos rumo a certeza da morte e mesmo assim, trabalhamos pacificamente de 8h a 12h diárias, tendo consciência de uma existência curta, cujo fim seja que, essa matéria (corpo) deve tornar-se pó novamente, 


Durante milhares de anos, muitos povos primitivos desenvolveram diversos rituais para oferecer aos animais nos quais caçavam, uma espécie de agradecimento ao fato deles pagarem com a vida e assim, permitirem que as tribos humanas pudessem se alimentar e prosseguir adiante. Joseph Campbell, professor de mitologia norte americano, disse em um de seus diversos livros sobre o tema que: “a vida se alimenta de vida”. 


A vida enquanto forma de existência e que só poderia existir ocupando um corpo, parece não ter mais sustentação, já que a própria física quântica já fala sobre esta ponte entre a ciência e o invisível: 

A física quântica pode constituir uma ponte entre a ciência e o mundo espiritual, pois, segundo ela, pode-se “reduzir” a matéria, de forma subjetiva e no domínio do abstrato, até à consciência – causa da “intelectualidade” da matéria. A consciência transforma as possibilidades da matéria em realidade, transformando as possibilidades quânticas em fatos reais. Essa consciência deve apresentar uma unidade e transcender o tempo, espaço e matéria. Não é algo material; na realidade, é a base de todos os seres.[1]

Uma vez no campo da não matéria, temos horizontes de nulidade daquilo que denominamos como algo visível e concreto, sendo assim, o espaço do vazio ou o desconhecido, torna-se a nova fronteira para a investigação da consciência humana aprisionada em um corpo com a estrutura limitada para a leitura e a compreensão do universo invisível. 


Ao supormos que a grandiosidade daquilo que chamamos centelha ou sopro de vida, presente na matéria do corpo, tem como centro mediador, algo cuja a origem se encontra no universo invisível, logo, tal fonte passa a significar o lugar onde se esculpem todas as ações no campo da matéria, até aquelas que julgamos impossíveis

Se admitirmos que somos avatares neste corpo e que a decisão sobre a forma como agimos, aquilo que pronunciamos e até o momento em que faleceram, todos estes comandos, são controlados pelas condições e necessidades do universo invisível, espaço incompreensível pela mente humana, sendo por ela, apenas denominado como eterno ou infinito


O rastreamento de certos tipos de sentimentos, entre eles, as emoções ou a depressão, ambas podem contribuir para saúde e até a doença dos órgãos do corpo. O fato de o indivíduo possuir meta elevada pode lhe favorecer a vencer obstáculos e o contrário disso, não ter motivação ou estar paralisado, facilita o avanço drástico das doenças. 


Quando se vive com a nulidade do ego, logo, favorecemos na mente a incorporação de elementos do campo “simbólico”. Estes elementos pertencem ao universo das possibilidades infinitas, espécie de totalidade responsável pela existência de tudo aquilo que pertencemos, juntamente com o universo. 


Ao defrontar se com a grandeza deste infinito de possibilidades, cujo limite da estrutura física do corpo e da mente humana, não consegue visualizar ou compreender, então, ignoramos e vetamos qualquer tentativa de navegar neste campo desconhecido das forças potencializadoras do chamado simbólico. No entanto, se insistirmos na construção de uma espécie de mapa mental simbólico, navegando por forte emoções geradas por frases, nomes, palavras, imagens, sons, entre outras grandezas, podemos sentir fragmentos advindos das forças que compõem e alimentam aquilo que conhecemos como vida. 


Se conseguirmos anular o ego, podemos escolher no cenário das infinitas possibilidades um contexto ideal para fazer o mergulho e degustar aquilo que selecionamos como o elixir máximo naquele momento. Alguns denominam esta viagem como fé, outros alegam poder de imaginação e concentração naquilo que realmente importam. 


Porém, se supormos que o fluxo de energia que anima a matéria (corpo) pertence ao campo do eterno, logo, podemos nos conotarmos como a ponta de um grande Iceberg, então, basta nos transportarmos em direção oposta para sentirmos que do outro lado, também depende do que acontece nesta pequena superfície visível, caso contrário, não estaríamos aqui. 


Estamos neste corpo (matéria) enquanto temos a possibilidade de realizarmos o projeto idealizador pelo qual nos permitiu chegar até este momento. Que missão é esta? Isto depende da infinitude de planos que existem do outro lado, pois, observando o mundo visível e suas contradições, conflitos e superações, logo, podemos supor que pertencemos a uma espécie de laboratório da evolução experimental do universo. 


Cada ação que praticamos nos coloca mais próximo daquela intenção motivadora que nos deu vida. Seria algo semelhante ao motivo que leva o fotografo ao clicar sua máquina fotográfica naquele momento que deseja capturar algo e torná-lo eterno. Esta ação de recortar o tempo para apresentar a outros indivíduos como sua maneira de ver o mundo, também se assemelha ao modo como vivemos. 


É esta maneira de viver, isto é, como alguém que seleciona tudo a todo instante, que denominamos como “a sétima maneira de viver”. Escolha somente coisas maravilhosas por onde caminhar, ignore tudo que não seja construtivo para sua plenitude, assim, poderá sentir como parte daquilo que pratica e se acreditar, após visitar muitos lugares durante sua jornada de selecionador, após se libertar deste corpo (matéria), poderá viver em seu pequeno museu ou retornar para ampliá-lo cada vez mais seu empreendimento.  


Uma leitura semiótica do momento na imagem histórica de Botucatu sp

 

                                                       Joaquim Luiz Nogueira 

Na imagem acima podemos fazer uma leitura de sentido a partir da direita para esquerda, tendo no alto, o destaque de uma coluna redonda, cujo término em forma de esquadro, que segundo o wikipedia.org.  “é um instrumento de desenho utilizado em obras civis e que também pode ser usado para fazer linhas retas verticais com precisão para 90°”. Logo abaixo, esta estrutura é encoberta por uma espécie de marquise aberta em linha reta, que projeta abaixo dela a outra parte da imagem que vamos analisar.

Da esquerda para direita, temos uma pessoa que usa uma máscara branca, uma vestimenta aberta, que visualiza o contraste entre as cores preta, vermelha, cinza e o branco. Com seu rosto direcionado para o centro da imagem, porém, para o observador que olha essa fotografia, sua visão é intercalada por uma caixa em azul de tampa branca e contém um cartaz, escrito em vermelho a palavra "VACINA".

A frente desta caixa, vários objetos na cor branca perdem o foco para a palavra escrita em vermelho e que projeta acima dela duas pessoas cuja vestimenta e as máscaras na cor preta, portanto, para o observador, sua visão começa na pálida cor branca da mesa, passa pela cor azul e termina no cromado predominante da cor escura.

E avançando em direção ao centro da imagem, temos ainda sobre a mesa outra caixa amarela com letras ilegíveis para o leitor, que termina no centro da imagem, com uma pessoa sentada e braço esquerdo preparado para receber a vacina, porém, seu rosto encara o fotógrafo e permite ao observador o contraste no seu corpo das cores escuras, branca e vermelha de seu lenço, que mais acima se encadeia com as cores azul claro e azul marinho das máscaras das duas pessoas logo atrás dela , terminando com o grande quadro de cor azul e letras brancas e amarela. 

Na frase escrita em branco, temos: “O cuidado é de cada um” e na cor amarela “O benefício é para todos” Ambas as frases possuem aspas de início e final com o símbolo da cruz na cor branca e com pontos de reticências no início, antes do desenho.  O símbolo da cruz é algo muito rico de interpretações, porém, vamos ficar com as frases neste momento, a primeira foca no indivíduo como ser único e responsável por aquilo que lhe acontece, e a segunda, implica numa espécie de benfeitoria do mesmo sujeito, no sentido onírico de atingir a totalidade.

A terceira pessoa em pé no centro da imagem, inclina a cabeça e direciona seu olhar para o braço da mulher em que está recebendo a vacina, que para o observador da imagem, vislumbra somente as mãos do aplicador da vacina, cujas luvas brancas se encadeiam com as mangas do jaleco entrecortadas por uma faixa vermelha que parece atravessar seu braço neste momento, cujo fundo, é a cor da escuridão contrasta a cena.

Acima, o rosto do aplicador mostra ao observador o desenho de uma cruz azul na máscara, tonalidade do céu, do banner ao fundo, da máscara do zé gotinha e da caixa da vacina. Logo, a imagem que se inicia com os raios solares sobre a cor bege da marquise aos poucos ganha as quatro tonalidades predominantes: preta, azul, branca e vermelha.

Do amarelo da caixa em cima da mesa, vamos para a frase de cor semelhante “O benefício é para todos”, terminando esta tonalidade com a palavra vacina, localizada no fundo do banner. Na imagem, o que é para todos, enfatizado em amarelo, significa apenas uma pequena porção do quadro ilustrado ao alcance do observador.

No entanto, acima da caixa amarela, temos na camiseta de cor preta e o desenho de uma cruz branca deitada e sobre ela a palavra “DEUS”. Desta maneira, a imagem nos permite uma leitura cromática que nos denota o quanto que o momento demonstra por certo obscurecimento, assim como, a vontade de pacificar com a escrita da “VACINA” em cor vermelha, mais no cartaz de cor branca da caixa do imunizante. Logo, o azul do céu que parece transbordar no fundo da imagem e nos símbolos de cruz branca e azul, podemos dividir a figuração entre a cor bege da construção humana (marquise) e a atmosfera azulada de um espaço infinito, marcado pelo símbolo da cruz, ora na cor branca, ora na cor azul.

Desejo de paz, mergulhado na intenção de um céu infinito, que se divide entre  a construção humana e a profundidade de um gesto, que reúne  segundo a tonalidade azulada, uma intercessão do céu ou de Deus.

 

Fonte da imagem: https://www.gov.br/pt-br/noticias/saude-e-vigilancia-sanitaria/2021/05/toda-a-populacao-adulta-de-botucatu-sp-sera-vacinada

Maior Premiação do Cinema em época de Pandemia 2021:uma leitura de imagem

 


                                                                                                                   Joaquim Luiz Nogueira 

Para a interpretação dos críticos, segundo o Jornal Folha de São Paulo “O filme estrelado por Frances McDormand reflete um fenômeno marcante, o do crescente número de pessoas que optam pela vida nômade em busca de empregos temporários em todo o país” Em uma das  imagens do filme, que destacamos acima, o contexto de um céu dividido entre alguns raios de luz que cortam a imensidão povoada por nuvens cinzas, contrastam com a tonalidade da vegetação, que de cores semelhantes à abóbada celeste, também é cortada pela luz de um lampião sob as mãos  de uma pessoa em movimento.

Se no alto da imagem a luz parece enfrentar obstáculos para existir, o que dizer da figura humana que carrega um pequeno lampião em meio de uma vegetação densa, isto é, em um espaço que separa casas de um vilarejo urbano acrescentada a uma visão de silhueta das montanhas ao fundo, cujo primeiro plano, temos a imagem de uma pessoa que inclina sua cabeça para o caminho que necessita pisar. 

A luz do lampião na mão da pessoa se mostra como um objeto necessário, algo que foi usado para guiar o nômade em meio à escuridão, porém, neste momento de ampliação do horizonte, aquilo que se revelou como instrumento valioso é o mesmo que continua ao lado da pessoa, talvez para mostrar o quando é indispensável na rotina cotidiana. 

A pessoa humana encontra se no limite entre a luz e a escuridão com a predominância da sombra, cuja visão do observador se desliza para o fundo da imagem, onde o relevo da linha do horizonte mostra obstáculos voltados para um maravilhoso azulado de um céu iluminado. No entanto, o indivíduo continua sua concentração no espaço em que está caminhando e parece ignorar ou desconhecer aquilo que ocorre distante de seu objetivo.  

A imagem retrata escuridão, moradias e os obstáculos das grandes montanhas, neste contexto, o sujeito nômade transita sob uma pequena luz de lampião que somente registra seu destino de início da caminhada, sugerindo que atravessou a escuridão, mais agora não faz mais sentido essa pequena luz ofuscada pela claridade do dia em que vislumbra a sua frente um cenário de casas urbanas.  

O caótico da imagem na qual nada possui clareza, porém apresenta todo um jogo de diversos elementos que participam da cena: luz, sombra, homem, montanha, vegetação e moradias. Mostra um mundo em transição, em espera ou expectativa, na qual, a figura humana parece buscar a sobrevivência entre diferentes realidades ou sugerir que pode viver em contextos desiguais. 



O outro Lado que controla o corpo humano

 


                                          O outro lado que controla o corpo humano 

Joaquim Luiz Nogueira 

O ato, a atitude e a postura do indivíduo significam também uma ponte, um sinal ou abertura e até certa mediação com o invisível por meio da imaginação e do fantasmagórico, que direciona e até motiva o ato. O gesto que toca o eterno, também é a chave que abre a dimensão do tempo. 

Lembramos que a visão do tempo pelo sentido humano, é algo que represa ou fotografa, para depois armazenar na memória, desta maneira forma-se os cenários, as perspectivas, lembranças ou pontos objetivos que fixam aquilo que foi observado. Esta forma de recortar quebra a ligação com a origem, ou seja, com a forma externa direta. 

O elemento externo instaurador se coloca como antagônico ou adverso, pois como algo pertencido ao ato fundador e eterno, e sendo, responsável por gerar o processo, cujos resultados representam uma constelação de desejos primordiais, reprimidos ou renegados, também denominados como fonte, arquétipos, alma ou Real. 

Desse modo, os desejos são as expectativas vigentes e antagônicas do momento da criação da matéria ou corpo, na qual, congregou tais elementos divergentes. Estes evocam e se alimentam de uma visão integradora, carregada de possibilidades, já que tais características pertencem ao eterno, que não se integra ao corpo do indivíduo. 

Esta perspectiva integradora provoca no corpo o arrebatamento e desencadeiam sentimentos diversos. Neste sentido, o corpo busca se conectar com o trauma do momento em que se originou, numa tentativa de sanar a experiência desagradável, e neste movimento circular no entorno do traumático e com a visão integradora, já que  esta agitação significa a sua incapacidade de compreender- se ou de realizar-se, no trauma que sustenta tal oscilação. 

A participação do indivíduo é algo no campo do planejado ou inesperado, provocado fora de seu tempo e espaço, significa uma busca de realização de objetivos frustrados anteriormente, no momento de sua origem. O invisível oferece o impulso ao corpo, numa busca de atos nos quais sirvam de ponte entre a matéria formada por elementos divergentes e a sua cura, ou seja, a neutralização dos impactos,  e assim, zerar as perturbações. 

O objetivo do corpo é de criar uma vivência eterna, sem o tempo, isto é, não sendo apenas um registro contínuo de fotografias da retina, mas uma visão do “agora eterno”. Para isto, temos alguns elementos que podem nos colocar neste espaço fora do tempo e do espaço: 

- Amor: vai além da materialidade;

- Escolha: decide os contornos de seu destino;

- Perdão: significa a oportunidade para recriar-se;

- Altruísmo: desencadeia a transferência no sentido do objeto venerado;

- Destinação: acreditar na missão, assim suporta o sofrimento e vigora a energia do corpo;

- Incorporação de verdades eternas: Ação de simbolizar para continuar rumo a um objetivo; 

- Sentir-se como um nada: cria-se horizontes de nulidade e inutilidade, sendo o vazio, espaço da inventividade humana, lugar da mediação entre o nada e a negatividade, lugar onde se esculpe novas ações, mesmo que impossíveis. 

Segundo Jung, as configurações das iniciativas, as estruturas do invisível, tais como as sensações de medo, prazer, preocupações, sonhos e fantasias, todas elas são alimentadas por fontes que preexistem ao corpo e seus órgãos, cujos comando estão fora do corpo, denominadas como potencialidades simbólicas, arquétipos ou estampagens. 

 


Epigenética: uma reflexão interessante

 


Joaquim Luiz Nogueira 


Toda a cascata de eventos começa com o sinal de fora da célula. Esse sinal inclui pensamentos, escolhas, comportamentos, experiências e sentimentos. Se conseguir alterar esses elementos, também conseguirá determinar sua expressão genética. 

O que nos dá acesso a esses potenciais que podem ter efeito sobre nossa saúde é o bem estar e o controle das mensagens vindas de fora das células, ou seja, do ambiente. Uma mudança na consciência pode produzir modificações físicas no corpo, na estrutura e na função. 

Podemos modificar nosso destino genético ativando os genes que queremos e desativar aqueles que não queremos.  Os sinais que vem de dentro do corpo, tais como, os sentimentos e pensamentos, assim como os externos, podem dizer às células o que fazer e quando fazer, são as fontes que ativam, ligam ou desligam os genes. 

Regulam de forma positiva ou negativa a energia dinâmica de ajuste do processo genético. Pensamentos e sentimentos fazem com que o corpo responda com fórmulas complexas de mudanças e alterações biológicas, pois em cada experiência são pressionados botões de modificações genéticas reais dentro das células, espécie de programa de nutrição ou estilo de vida. 

O significado de cada coisa afeta continuamente as estruturas neurais que influenciam quem somos na forma micro e macro. Aquilo em que acreditamos ser e as escolhas ou decisões que tomamos nos enviam mensagens para evoluções e ações dos genes em cada célula. 

As crenças e percepções, assim como as formas como nós interagimos com o ambiente externo nos influenciam internamente. Neste caso detemos as chaves do destino genético. 

Fonte de aprofundamento: Você é o Placebo: o poder de curar a si mesmo. JOE DISPENZA. Editora Citadel; Porto Alegre, 2019. 

Realidade

 


Joaquim Luiz Nogueira


No mundo interior, a mente humana deve se concentrar naquilo que não tem sentido reconhecido por ela, pois, esta porta se abre para além do tempo, do lugar e de qualquer crença. Do contrário, ficaremos no modo de sobrevivência, ou seja, com o comando da experiência, que oferece uma realidade pelos sentidos do corpo, cuja forma materialista, escraviza o corpo para seguir o ambiente, já que a natureza humana espera que tudo seja igual ao já experimentado.

A Percepção tem tudo haver com o modo na qual, fazemos escolhas, assim, ao transformarmos o nível de energia para uma emoção mais intensa, a nossa biologia também se reorganiza para ativar pontos de receptores celulares no sistema nervoso. A impressão ou a intuição das coisas afetam o ser, o corpo e a sua saúde, portanto, modificar o estado interno ao se levantar todos os dias, de maneira que, ao associarmos pensamentos e sentimentos otimistas com clareza, emoção, empolgação e maravilhamento, pode retirar a mente do repouso e colocá-la em um novo estado de ser, ou seja, para viver o presente.

Existem partículas subatômicas em número infinito de lugares e de forma, elas são ondas ou energia. Elas permanecem onde o observador procura, presta sua atenção, percebe e foca sua mente, aquilo torna-se a realidade. Quando se imagina, cria se possibilidades, toca se em algo que já existe além do espaço e do tempo, porém espera ser observado. 

Ao observar ou imaginar certa realidade deslumbrada, sinta a experiência de estar lá, alimente-se daquela emoção e condicione seu corpo para acreditar, pois, neste momento, cria-se um campo de energia ao redor do corpo, cujo nível de energia corresponde ao lugar enfatizado pelo pensamento ou consciência. 

Se a energia do lugar ou coisa imaginada, visitada pelo pensamento e registrada na consciência, possuir clareza a ponto de o indivíduo acreditar, logo essa energia, se ela for carregada de forte emoção de sua fonte, ela transcende a matéria e as leis do ambiente, pois carrega a informação que controla a matéria no além espaço e tempo de forma coerente. 

Fonte para aprofundamento: Você é o Placebo: o poder de curar a si mesmo JOE DISPENZA - Cidadel grupo editorial, Porto Alegre 2019. 



Visões liberais, agônicas e de catástrofe sobre o mundo atual

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