Visões liberais, agônicas e de catástrofe sobre o mundo atual

 

                                                                                                      

                                                                                                    Joaquim Luiz Nogueira


Visão Liberal Ocidental 

Esta visão defende as formas pacificadoras, neutralizantes e normalizadoras, espécie de noção positivista, cujo conhecimento se apresenta como abordagem objetiva (não parcial) da realidade. Nesta visão, não se inclui nenhuma espécie de risco de vida. Qualquer sinal deste aspecto, logo é visto como suspeito e irracional, portanto, descartado. 

“Foucault caracterizou como “as formas pacificadoras, neutralizantes e normalizadoras do poder ocidental moderno” – é ideologia no seu estado mais puro: a ideologia do “fim da ideologia”. Por um lado, temos o conhecimento-especialista não ideológico “objetivo”, por outro, temos indivíduos dispersos, cada um dos quais está focado em seu “cuidado de si” idiossincrático (termo que Foucault usou quando abandonou sua experiência iraniana), pequenas coisas que dão prazer à sua vida. Desse ponto de vista do compromisso universal, o individualismo liberal, especialmente quando inclui risco de vida, é visto como profundamente suspeito e “irracional”. (Slavoj Zizek) 


Visão Agônica 

Trata-se de uma visão movida a partir da ansiedade, isto é, da perspectiva de uma dada recompensa advinda de uma crença. Portanto, uma posição subjetiva, porém, engajada, por exemplo, em ganhos prometidos pelo martírio do indivíduo, que são impregnados na vida dele. A verdade a partir da ansiedade, que se transforma por meio da luta e da provação. É um discurso da perspectiva, cuja totalidade desta visão ocorre quando se atravessa seu ponto de vista próprio. 

A manifestação da verdade ocorre só a partir de sua posição de combate, ou seja, do ideal de vitória buscada, mesmo que esteja no limite da sobrevivência. A verdade é acessível a partir da posição subjetiva e particular do indivíduo. O conhecimento ocorre mesmo que o sujeito esteja engajado na luta pela sua visão agônica. Neste caso, o foco surge a partir do cuidado de si, isto é, de pequenas coisas que dão prazer a sua vida. 


“Ela deixa de captar a diferença chave entre a crença no sentido de insight intelectual (“Eu sei que irei para o céu, é um fato”) e a crença como uma posição subjetiva engajada. Em outras palavras, é incapaz de levar em conta o poder material de uma ideologia – neste caso, o poder da fé – que não se baseia apenas na força de nossa convicção, mas em como estamos diretamente comprometidos existencialmente com nossa crença. Não somos sujeitos escolhendo esta ou aquela crença, nós somos a nossa crença no sentido em que essa crença impregna nossa vida”. Slavoj Zizek 


Visão da catástrofe 

Nesta visão, o engajamento das pessoas assume um compromisso coletivo por uma vida melhor. Trata-se de um espírito coletivo, onde todos estão engajados, ou seja, comportamento semelhante ao que ocorre diante de uma catástrofe, tais como: furacão, tsunami, aquecimento global, pandemia, etc.  Nestas ações coletivas cobram dos indivíduos várias formas de martírios, entre eles, o sacrifício, isto é, tem que superar a vida de prazeres de si e aderir ao profundo engajamento coletivo.


“um compromisso coletivo por uma vida melhor. Após o triunfo do capitalismo global, esse espírito de engajamento coletivo foi reprimido, e agora essa postura reprimida parece retornar sob a forma de fundamentalismo religioso”.” É possível imaginarmos um retorno do reprimido em sua forma adequada de engajamento emancipatório coletivo? Não só é possível, como ele já está batendo à nossa porta – e com força. Mencionemos apenas a catástrofe do aquecimento global – ela exige uma ação coletiva em grande escala que demandará suas próprias formas de martírio, o sacrifício de muitos prazeres aos quais nos acostumamos. Se realmente quisermos mudar todo o nosso modo de vida, o “cuidado de si” individualista que gira em torno do uso dos nossos prazeres terá que ser superado. Por outro lado, a tecnocracia da ciência especializada por si só não resolverá o impasse – terá de ser uma ciência enraizada no mais profundo engajamento coletivo” (Slavoj Zizek)


Conclusão 

 

Estamos vivendo numa visão de catástrofe (pandemia) com as pessoas sendo engajadas em comportamentos coletivos com sacrifícios e martírios para os indivíduos em nome do novo espírito coletivo, chamado de “novo normal”.  A situação de catástrofe está sendo direcionada pela visão agônica de lideranças mundiais e nacionais, que aproveitam este momento de pânico gerado pela catástrofe da pandemia, no qual, aproveitam para moldar comportamentos e para criar e distribuir novas tecnologias, tudo isso, a partir de suas visões agônicas do mundo. Tais mudanças são colocadas em prática dentro de uma visão liberal, cujas autoridades e profissionais liberais, defendem essas novas medidas como formas normalizadoras, cujo conhecimento se apresenta como abordagem objetiva da realidade. 



Referências bibliográficas
FOUCAULT, Michel. 
Em defesa da sociedade: Curso no Collège de France (1975-1976). Tradução de Maria Ermantina Galvão. São Paulo: Martins Fontes, 2005, p. 61.
GAMEZ, Patrick. The place of the Iranian Revolution in the history of truth: Foucault on neoliberalism, spirituality and enlightenment. 
Philosophy and Social Criticism, v. 45, n.1, p. 96-124, set. 2018.

Fonte:

https://blogdaboitempo.com.br/2021/08/16/zizek-nossa-resposta-aotaliba/?fbclid=IwAR0Eu7tVfAdARLnMxsDXsbKSbV6R1EWzk3ULifsijuxy6Y9PTWiBPg6xgk

 

A Sétima Maneira de Viver a Vida



                                                                                                                         Joaquim Luiz Nogueira


Entre as muitas maneiras de viver a vida, temos as mais comuns, isto é: viver com fundamentação no amor, com prioridade nas escolhas, uso do perdão para se renovar, prática do altruísmo para dar sentido à vida, acreditar no destino como missão e a incorporação de verdades absolutas para cumprir objetivos.

No entanto, a sétima forma de viver se trata do “Sentir-se como um nada”, ou seja, anulação do ego individual. Quando admitimos que não existimos de maneira definitiva dentro de um corpo e que ali, atuam apenas como um avatar, cuja fonte de origem desta centelha psíquica que habita tal matéria situa-se em sua totalidade em um plano invisível, fora do alcance e da compreensão do indivíduo.


Neste sentido, ao refletirmos sobre as qualidades daquilo que alimenta a mente humana, logo, não temos como compreender o fato de caminharmos rumo a certeza da morte e mesmo assim, trabalhamos pacificamente de 8h a 12h diárias, tendo consciência de uma existência curta, cujo fim seja que, essa matéria (corpo) deve tornar-se pó novamente, 


Durante milhares de anos, muitos povos primitivos desenvolveram diversos rituais para oferecer aos animais nos quais caçavam, uma espécie de agradecimento ao fato deles pagarem com a vida e assim, permitirem que as tribos humanas pudessem se alimentar e prosseguir adiante. Joseph Campbell, professor de mitologia norte americano, disse em um de seus diversos livros sobre o tema que: “a vida se alimenta de vida”. 


A vida enquanto forma de existência e que só poderia existir ocupando um corpo, parece não ter mais sustentação, já que a própria física quântica já fala sobre esta ponte entre a ciência e o invisível: 

A física quântica pode constituir uma ponte entre a ciência e o mundo espiritual, pois, segundo ela, pode-se “reduzir” a matéria, de forma subjetiva e no domínio do abstrato, até à consciência – causa da “intelectualidade” da matéria. A consciência transforma as possibilidades da matéria em realidade, transformando as possibilidades quânticas em fatos reais. Essa consciência deve apresentar uma unidade e transcender o tempo, espaço e matéria. Não é algo material; na realidade, é a base de todos os seres.[1]

Uma vez no campo da não matéria, temos horizontes de nulidade daquilo que denominamos como algo visível e concreto, sendo assim, o espaço do vazio ou o desconhecido, torna-se a nova fronteira para a investigação da consciência humana aprisionada em um corpo com a estrutura limitada para a leitura e a compreensão do universo invisível. 


Ao supormos que a grandiosidade daquilo que chamamos centelha ou sopro de vida, presente na matéria do corpo, tem como centro mediador, algo cuja a origem se encontra no universo invisível, logo, tal fonte passa a significar o lugar onde se esculpem todas as ações no campo da matéria, até aquelas que julgamos impossíveis

Se admitirmos que somos avatares neste corpo e que a decisão sobre a forma como agimos, aquilo que pronunciamos e até o momento em que faleceram, todos estes comandos, são controlados pelas condições e necessidades do universo invisível, espaço incompreensível pela mente humana, sendo por ela, apenas denominado como eterno ou infinito


O rastreamento de certos tipos de sentimentos, entre eles, as emoções ou a depressão, ambas podem contribuir para saúde e até a doença dos órgãos do corpo. O fato de o indivíduo possuir meta elevada pode lhe favorecer a vencer obstáculos e o contrário disso, não ter motivação ou estar paralisado, facilita o avanço drástico das doenças. 


Quando se vive com a nulidade do ego, logo, favorecemos na mente a incorporação de elementos do campo “simbólico”. Estes elementos pertencem ao universo das possibilidades infinitas, espécie de totalidade responsável pela existência de tudo aquilo que pertencemos, juntamente com o universo. 


Ao defrontar se com a grandeza deste infinito de possibilidades, cujo limite da estrutura física do corpo e da mente humana, não consegue visualizar ou compreender, então, ignoramos e vetamos qualquer tentativa de navegar neste campo desconhecido das forças potencializadoras do chamado simbólico. No entanto, se insistirmos na construção de uma espécie de mapa mental simbólico, navegando por forte emoções geradas por frases, nomes, palavras, imagens, sons, entre outras grandezas, podemos sentir fragmentos advindos das forças que compõem e alimentam aquilo que conhecemos como vida. 


Se conseguirmos anular o ego, podemos escolher no cenário das infinitas possibilidades um contexto ideal para fazer o mergulho e degustar aquilo que selecionamos como o elixir máximo naquele momento. Alguns denominam esta viagem como fé, outros alegam poder de imaginação e concentração naquilo que realmente importam. 


Porém, se supormos que o fluxo de energia que anima a matéria (corpo) pertence ao campo do eterno, logo, podemos nos conotarmos como a ponta de um grande Iceberg, então, basta nos transportarmos em direção oposta para sentirmos que do outro lado, também depende do que acontece nesta pequena superfície visível, caso contrário, não estaríamos aqui. 


Estamos neste corpo (matéria) enquanto temos a possibilidade de realizarmos o projeto idealizador pelo qual nos permitiu chegar até este momento. Que missão é esta? Isto depende da infinitude de planos que existem do outro lado, pois, observando o mundo visível e suas contradições, conflitos e superações, logo, podemos supor que pertencemos a uma espécie de laboratório da evolução experimental do universo. 


Cada ação que praticamos nos coloca mais próximo daquela intenção motivadora que nos deu vida. Seria algo semelhante ao motivo que leva o fotografo ao clicar sua máquina fotográfica naquele momento que deseja capturar algo e torná-lo eterno. Esta ação de recortar o tempo para apresentar a outros indivíduos como sua maneira de ver o mundo, também se assemelha ao modo como vivemos. 


É esta maneira de viver, isto é, como alguém que seleciona tudo a todo instante, que denominamos como “a sétima maneira de viver”. Escolha somente coisas maravilhosas por onde caminhar, ignore tudo que não seja construtivo para sua plenitude, assim, poderá sentir como parte daquilo que pratica e se acreditar, após visitar muitos lugares durante sua jornada de selecionador, após se libertar deste corpo (matéria), poderá viver em seu pequeno museu ou retornar para ampliá-lo cada vez mais seu empreendimento.  


Uma leitura semiótica do momento na imagem histórica de Botucatu sp

 

                                                       Joaquim Luiz Nogueira 

Na imagem acima podemos fazer uma leitura de sentido a partir da direita para esquerda, tendo no alto, o destaque de uma coluna redonda, cujo término em forma de esquadro, que segundo o wikipedia.org.  “é um instrumento de desenho utilizado em obras civis e que também pode ser usado para fazer linhas retas verticais com precisão para 90°”. Logo abaixo, esta estrutura é encoberta por uma espécie de marquise aberta em linha reta, que projeta abaixo dela a outra parte da imagem que vamos analisar.

Da esquerda para direita, temos uma pessoa que usa uma máscara branca, uma vestimenta aberta, que visualiza o contraste entre as cores preta, vermelha, cinza e o branco. Com seu rosto direcionado para o centro da imagem, porém, para o observador que olha essa fotografia, sua visão é intercalada por uma caixa em azul de tampa branca e contém um cartaz, escrito em vermelho a palavra "VACINA".

A frente desta caixa, vários objetos na cor branca perdem o foco para a palavra escrita em vermelho e que projeta acima dela duas pessoas cuja vestimenta e as máscaras na cor preta, portanto, para o observador, sua visão começa na pálida cor branca da mesa, passa pela cor azul e termina no cromado predominante da cor escura.

E avançando em direção ao centro da imagem, temos ainda sobre a mesa outra caixa amarela com letras ilegíveis para o leitor, que termina no centro da imagem, com uma pessoa sentada e braço esquerdo preparado para receber a vacina, porém, seu rosto encara o fotógrafo e permite ao observador o contraste no seu corpo das cores escuras, branca e vermelha de seu lenço, que mais acima se encadeia com as cores azul claro e azul marinho das máscaras das duas pessoas logo atrás dela , terminando com o grande quadro de cor azul e letras brancas e amarela. 

Na frase escrita em branco, temos: “O cuidado é de cada um” e na cor amarela “O benefício é para todos” Ambas as frases possuem aspas de início e final com o símbolo da cruz na cor branca e com pontos de reticências no início, antes do desenho.  O símbolo da cruz é algo muito rico de interpretações, porém, vamos ficar com as frases neste momento, a primeira foca no indivíduo como ser único e responsável por aquilo que lhe acontece, e a segunda, implica numa espécie de benfeitoria do mesmo sujeito, no sentido onírico de atingir a totalidade.

A terceira pessoa em pé no centro da imagem, inclina a cabeça e direciona seu olhar para o braço da mulher em que está recebendo a vacina, que para o observador da imagem, vislumbra somente as mãos do aplicador da vacina, cujas luvas brancas se encadeiam com as mangas do jaleco entrecortadas por uma faixa vermelha que parece atravessar seu braço neste momento, cujo fundo, é a cor da escuridão contrasta a cena.

Acima, o rosto do aplicador mostra ao observador o desenho de uma cruz azul na máscara, tonalidade do céu, do banner ao fundo, da máscara do zé gotinha e da caixa da vacina. Logo, a imagem que se inicia com os raios solares sobre a cor bege da marquise aos poucos ganha as quatro tonalidades predominantes: preta, azul, branca e vermelha.

Do amarelo da caixa em cima da mesa, vamos para a frase de cor semelhante “O benefício é para todos”, terminando esta tonalidade com a palavra vacina, localizada no fundo do banner. Na imagem, o que é para todos, enfatizado em amarelo, significa apenas uma pequena porção do quadro ilustrado ao alcance do observador.

No entanto, acima da caixa amarela, temos na camiseta de cor preta e o desenho de uma cruz branca deitada e sobre ela a palavra “DEUS”. Desta maneira, a imagem nos permite uma leitura cromática que nos denota o quanto que o momento demonstra por certo obscurecimento, assim como, a vontade de pacificar com a escrita da “VACINA” em cor vermelha, mais no cartaz de cor branca da caixa do imunizante. Logo, o azul do céu que parece transbordar no fundo da imagem e nos símbolos de cruz branca e azul, podemos dividir a figuração entre a cor bege da construção humana (marquise) e a atmosfera azulada de um espaço infinito, marcado pelo símbolo da cruz, ora na cor branca, ora na cor azul.

Desejo de paz, mergulhado na intenção de um céu infinito, que se divide entre  a construção humana e a profundidade de um gesto, que reúne  segundo a tonalidade azulada, uma intercessão do céu ou de Deus.

 

Fonte da imagem: https://www.gov.br/pt-br/noticias/saude-e-vigilancia-sanitaria/2021/05/toda-a-populacao-adulta-de-botucatu-sp-sera-vacinada

Maior Premiação do Cinema em época de Pandemia 2021:uma leitura de imagem

 


                                                                                                                   Joaquim Luiz Nogueira 

Para a interpretação dos críticos, segundo o Jornal Folha de São Paulo “O filme estrelado por Frances McDormand reflete um fenômeno marcante, o do crescente número de pessoas que optam pela vida nômade em busca de empregos temporários em todo o país” Em uma das  imagens do filme, que destacamos acima, o contexto de um céu dividido entre alguns raios de luz que cortam a imensidão povoada por nuvens cinzas, contrastam com a tonalidade da vegetação, que de cores semelhantes à abóbada celeste, também é cortada pela luz de um lampião sob as mãos  de uma pessoa em movimento.

Se no alto da imagem a luz parece enfrentar obstáculos para existir, o que dizer da figura humana que carrega um pequeno lampião em meio de uma vegetação densa, isto é, em um espaço que separa casas de um vilarejo urbano acrescentada a uma visão de silhueta das montanhas ao fundo, cujo primeiro plano, temos a imagem de uma pessoa que inclina sua cabeça para o caminho que necessita pisar. 

A luz do lampião na mão da pessoa se mostra como um objeto necessário, algo que foi usado para guiar o nômade em meio à escuridão, porém, neste momento de ampliação do horizonte, aquilo que se revelou como instrumento valioso é o mesmo que continua ao lado da pessoa, talvez para mostrar o quando é indispensável na rotina cotidiana. 

A pessoa humana encontra se no limite entre a luz e a escuridão com a predominância da sombra, cuja visão do observador se desliza para o fundo da imagem, onde o relevo da linha do horizonte mostra obstáculos voltados para um maravilhoso azulado de um céu iluminado. No entanto, o indivíduo continua sua concentração no espaço em que está caminhando e parece ignorar ou desconhecer aquilo que ocorre distante de seu objetivo.  

A imagem retrata escuridão, moradias e os obstáculos das grandes montanhas, neste contexto, o sujeito nômade transita sob uma pequena luz de lampião que somente registra seu destino de início da caminhada, sugerindo que atravessou a escuridão, mais agora não faz mais sentido essa pequena luz ofuscada pela claridade do dia em que vislumbra a sua frente um cenário de casas urbanas.  

O caótico da imagem na qual nada possui clareza, porém apresenta todo um jogo de diversos elementos que participam da cena: luz, sombra, homem, montanha, vegetação e moradias. Mostra um mundo em transição, em espera ou expectativa, na qual, a figura humana parece buscar a sobrevivência entre diferentes realidades ou sugerir que pode viver em contextos desiguais. 



O outro Lado que controla o corpo humano

 


                                          O outro lado que controla o corpo humano 

Joaquim Luiz Nogueira 

O ato, a atitude e a postura do indivíduo significam também uma ponte, um sinal ou abertura e até certa mediação com o invisível por meio da imaginação e do fantasmagórico, que direciona e até motiva o ato. O gesto que toca o eterno, também é a chave que abre a dimensão do tempo. 

Lembramos que a visão do tempo pelo sentido humano, é algo que represa ou fotografa, para depois armazenar na memória, desta maneira forma-se os cenários, as perspectivas, lembranças ou pontos objetivos que fixam aquilo que foi observado. Esta forma de recortar quebra a ligação com a origem, ou seja, com a forma externa direta. 

O elemento externo instaurador se coloca como antagônico ou adverso, pois como algo pertencido ao ato fundador e eterno, e sendo, responsável por gerar o processo, cujos resultados representam uma constelação de desejos primordiais, reprimidos ou renegados, também denominados como fonte, arquétipos, alma ou Real. 

Desse modo, os desejos são as expectativas vigentes e antagônicas do momento da criação da matéria ou corpo, na qual, congregou tais elementos divergentes. Estes evocam e se alimentam de uma visão integradora, carregada de possibilidades, já que tais características pertencem ao eterno, que não se integra ao corpo do indivíduo. 

Esta perspectiva integradora provoca no corpo o arrebatamento e desencadeiam sentimentos diversos. Neste sentido, o corpo busca se conectar com o trauma do momento em que se originou, numa tentativa de sanar a experiência desagradável, e neste movimento circular no entorno do traumático e com a visão integradora, já que  esta agitação significa a sua incapacidade de compreender- se ou de realizar-se, no trauma que sustenta tal oscilação. 

A participação do indivíduo é algo no campo do planejado ou inesperado, provocado fora de seu tempo e espaço, significa uma busca de realização de objetivos frustrados anteriormente, no momento de sua origem. O invisível oferece o impulso ao corpo, numa busca de atos nos quais sirvam de ponte entre a matéria formada por elementos divergentes e a sua cura, ou seja, a neutralização dos impactos,  e assim, zerar as perturbações. 

O objetivo do corpo é de criar uma vivência eterna, sem o tempo, isto é, não sendo apenas um registro contínuo de fotografias da retina, mas uma visão do “agora eterno”. Para isto, temos alguns elementos que podem nos colocar neste espaço fora do tempo e do espaço: 

- Amor: vai além da materialidade;

- Escolha: decide os contornos de seu destino;

- Perdão: significa a oportunidade para recriar-se;

- Altruísmo: desencadeia a transferência no sentido do objeto venerado;

- Destinação: acreditar na missão, assim suporta o sofrimento e vigora a energia do corpo;

- Incorporação de verdades eternas: Ação de simbolizar para continuar rumo a um objetivo; 

- Sentir-se como um nada: cria-se horizontes de nulidade e inutilidade, sendo o vazio, espaço da inventividade humana, lugar da mediação entre o nada e a negatividade, lugar onde se esculpe novas ações, mesmo que impossíveis. 

Segundo Jung, as configurações das iniciativas, as estruturas do invisível, tais como as sensações de medo, prazer, preocupações, sonhos e fantasias, todas elas são alimentadas por fontes que preexistem ao corpo e seus órgãos, cujos comando estão fora do corpo, denominadas como potencialidades simbólicas, arquétipos ou estampagens. 

 


Epigenética: uma reflexão interessante

 


Joaquim Luiz Nogueira 


Toda a cascata de eventos começa com o sinal de fora da célula. Esse sinal inclui pensamentos, escolhas, comportamentos, experiências e sentimentos. Se conseguir alterar esses elementos, também conseguirá determinar sua expressão genética. 

O que nos dá acesso a esses potenciais que podem ter efeito sobre nossa saúde é o bem estar e o controle das mensagens vindas de fora das células, ou seja, do ambiente. Uma mudança na consciência pode produzir modificações físicas no corpo, na estrutura e na função. 

Podemos modificar nosso destino genético ativando os genes que queremos e desativar aqueles que não queremos.  Os sinais que vem de dentro do corpo, tais como, os sentimentos e pensamentos, assim como os externos, podem dizer às células o que fazer e quando fazer, são as fontes que ativam, ligam ou desligam os genes. 

Regulam de forma positiva ou negativa a energia dinâmica de ajuste do processo genético. Pensamentos e sentimentos fazem com que o corpo responda com fórmulas complexas de mudanças e alterações biológicas, pois em cada experiência são pressionados botões de modificações genéticas reais dentro das células, espécie de programa de nutrição ou estilo de vida. 

O significado de cada coisa afeta continuamente as estruturas neurais que influenciam quem somos na forma micro e macro. Aquilo em que acreditamos ser e as escolhas ou decisões que tomamos nos enviam mensagens para evoluções e ações dos genes em cada célula. 

As crenças e percepções, assim como as formas como nós interagimos com o ambiente externo nos influenciam internamente. Neste caso detemos as chaves do destino genético. 

Fonte de aprofundamento: Você é o Placebo: o poder de curar a si mesmo. JOE DISPENZA. Editora Citadel; Porto Alegre, 2019. 

Realidade

 


Joaquim Luiz Nogueira


No mundo interior, a mente humana deve se concentrar naquilo que não tem sentido reconhecido por ela, pois, esta porta se abre para além do tempo, do lugar e de qualquer crença. Do contrário, ficaremos no modo de sobrevivência, ou seja, com o comando da experiência, que oferece uma realidade pelos sentidos do corpo, cuja forma materialista, escraviza o corpo para seguir o ambiente, já que a natureza humana espera que tudo seja igual ao já experimentado.

A Percepção tem tudo haver com o modo na qual, fazemos escolhas, assim, ao transformarmos o nível de energia para uma emoção mais intensa, a nossa biologia também se reorganiza para ativar pontos de receptores celulares no sistema nervoso. A impressão ou a intuição das coisas afetam o ser, o corpo e a sua saúde, portanto, modificar o estado interno ao se levantar todos os dias, de maneira que, ao associarmos pensamentos e sentimentos otimistas com clareza, emoção, empolgação e maravilhamento, pode retirar a mente do repouso e colocá-la em um novo estado de ser, ou seja, para viver o presente.

Existem partículas subatômicas em número infinito de lugares e de forma, elas são ondas ou energia. Elas permanecem onde o observador procura, presta sua atenção, percebe e foca sua mente, aquilo torna-se a realidade. Quando se imagina, cria se possibilidades, toca se em algo que já existe além do espaço e do tempo, porém espera ser observado. 

Ao observar ou imaginar certa realidade deslumbrada, sinta a experiência de estar lá, alimente-se daquela emoção e condicione seu corpo para acreditar, pois, neste momento, cria-se um campo de energia ao redor do corpo, cujo nível de energia corresponde ao lugar enfatizado pelo pensamento ou consciência. 

Se a energia do lugar ou coisa imaginada, visitada pelo pensamento e registrada na consciência, possuir clareza a ponto de o indivíduo acreditar, logo essa energia, se ela for carregada de forte emoção de sua fonte, ela transcende a matéria e as leis do ambiente, pois carrega a informação que controla a matéria no além espaço e tempo de forma coerente. 

Fonte para aprofundamento: Você é o Placebo: o poder de curar a si mesmo JOE DISPENZA - Cidadel grupo editorial, Porto Alegre 2019. 



A Simbolização da Grandiosidade pelo Indivíduo


A Simbolização da Grandiosidade pelo Indivíduo


 Joaquim Luiz Nogueira 
A construção do Individuo pelo símbolo - Parte 5 

Pressupomos que todo indivíduo seja finito enquanto matéria, no entanto, ele também se depara com grandezas como o universo, que indica certo limite de seu conhecimento humano. Este espaço indeterminado e inumerável se contrasta com a limitação de cada pessoa, cujo desejo de participar desta vastidão permanente, leva a se identificar com esta grandiosidade que lhe parece eterna.
Ao se contrastar a limitação de cada ser com o ilimitado que o cerca, a mente também produz uma imagem da beleza representativa idealizada nesta amplitude, pois, “O belo é uma representação simbólica do infinito, pois assim fica ao mesmo tempo claro como o infinito pode aparecer no finito” (TODOROV, 2014, p.316).
Desse modo, o indivíduo se constrói de maneira que ele possa intercalar o belo entre as falhas de suas limitações ou trajetória, e neste sentido, muitas vezes, emprega esta qualidade por meio de representações simbólicas.
Ao representar essas qualidades de grandeza infinita, o indivíduo também incorpora às virtudes atribuídas a mesma e que ele a considera como posturas ideais. E, uma vez incluídas, o sujeito se vangloria da sensação de totalidade das mesmas e passa a ajustar sua necessidade com base nelas.

Os objetos assim representados parecem existir por si mesmos apenas e são, porém, significativos no mais profundo de si mesmos, e isso por causa do ideal, que sempre carrega consigo uma generalidade. Se o simbólico indica ainda outra coisa além da representação, será sempre de maneira indireta (TODOROV, 2014, p.317).




O indivíduo se constrói via representação de algo que lhe é ausente, sendo suas ações, na maioria das vezes axiomáticas, isto é, incontestável para ele, pois naquele momento lhe parecia à única saída. São respostas captadas, percebidas, simbólicas. “O símbolo é próprio à maneira intuitiva e sensível de apreender as coisas” (TODOROV, 2014, p.317).
O símbolo fala com o indivíduo por meio de pensamento e ideias, isto é, quando ele tem a compreensão ou juízo de algo, houve uma conexão simbólica, que lhe apresentou rumos, cenários, entre outros, “Assim, o símbolo dirige-se à percepção” (TODOROV, 2014, p.319).
A construção do indivíduo se dá por meio de modelos ou padrões em que, ele próprio o interpreta no sentido de estar preso a uma espécie de molde. A identificação pessoal se revela como resultado de uma ordem maior. “O simbólico é o exemplar, o típico, o que permite ser considerado como a manifestação de uma lei geral” (TODOROV, 2014, p.320). 
Um mesmo símbolo pode fornecer resultados diferentes para cada indivíduo e são essas soluções diversificadas, que geram conotações e interpretações que constituem sujeitos distintos. “O símbolo produz um efeito e, somente através dele, uma significação” (TODOROV, 2014, p.321).
Podemos pressupor que o indivíduo, também é simbólico, pois ele tem dificuldades para se identificar, nesse sentido, basta nos referirmos à frase filosófica atribuída ao filósofo grego Sócrates “Conheça a Ti Mesmo”. A pessoa pode se identificar com um nome, uma ideia, porém, sua resposta esconde a participação de outras representações. “O objeto simbólico, ao mesmo tempo, é e não é idêntico a si mesmo”. (TODOROV, 2014, p.323).
O indivíduo enquanto objeto simbólico pode se qualificar com a mescla daquilo que é, e a coisa que deseja ser, mesmo que seu ideal seja grandioso ou infinito. Desse modo, ele pode não simplesmente se identificar, mas se sentir como parte do eterno, ou seja, com qualidades idênticas por meio desta fusão.

Quanto ao símbolo, ele se caracteriza pela fusão desses dois contrários que são o geral e o particular, ou segundo a formulação preferida por Schelling, porque o símbolo não apenas significa, mas é, ou seja, pela intransitividade do simbolizante. No símbolo “o finito é ao mesmo tempo o infinito mesmo e não apenas o significa” (TODOROV, 2014, p.330).

Nesta situação ocorre a junção entre o sujeito, objeto em processo de construção e a fase completa de sua escolha, isto é, ele se sustenta com algo que considera de extrema relevância, a ponto de se sentir como parte integrante daquilo em que acredita. “O símbolo é, (...) funde significante e significado” (TODOROV, 2014, p.338).
O procedimento de estruturação do indivíduo pela coisa que ele considera como ideal, acontece de forma concomitante com sua ação presente. Todo ato, incorpora um passo no sentido de um ideal imaginado. “Há no símbolo uma simultaneidade entre o processo de produção e seu acabamento; o sentido só existe no momento de seu surgimento (...) o símbolo é capaz de exprimir o indizível” (TODOROV, 2014, p.340).
Para exemplificar a atuação do símbolo no indivíduo, Todorov recorre a Creuzer[1], que compara o símbolo ao “relâmpago que de uma só vez ilumina a noite escura” (TODOROV, 2014, p.342). Essa espécie de faísca é interpretada também pelo indivíduo como luz, imagem, concepção, inteligência, pensamento, entre outros.
Todorov nos explica que o ato simbólico é quando o indivíduo se posiciona no mesmo âmbito daquilo que ele julga também pertencer. Desse modo, a pessoa passa a ter a mesma competência do objeto que lhe representa no momento presente.



Não é uma relação de identidade, como acredita outros (nesse caso não mais haveria simbolização), mas de pertença; o símbolo é o ser, no sentido de fazer parte dele “Da pertença ao símbolo, tal como entendem os primitivos, a transição pode ser imperceptível. Pois o símbolo, assim como a pertença, participa do ser ou objeto que ele “representa”, e com isso mesmo garante a sua presença atual” (TODOROV, 2014, p.378).

Quando nomeamos um objeto pela sua aparência ou cor, por exemplo, chamamos a fruta laranja pela sua tonalidade, e esta, passa a ser reconhecida pela sua pigmentação. De modo semelhante, a simbolização de uma coisa qualquer, faz associação com outra via sentido, isto é, significado que conecta presença, indivíduo e finalidade.
Os gregos definiam isso com a palavra “trópos”, espécie de curva ou desvio, que facilitava a retórica, pois criava um jogo, cujo sentido da coisa não era nítido e poderia também manifestar outros aspectos. E deste modo, similarmente, Todorov nos afirma que “os símbolos têm parentesco com os tropos[2]” (TODOROV, 2014, p.380).
Outra figura de linguagem que podemos citar é a sinédoque[3], palavra grega “synekdokhé”, que significa a compreensão de várias coisas ao mesmo tempo. Tal artifício é empregado quando o indivíduo generaliza um determinado conceito, ou seja, toma uma parte pelo todo.


Esses recursos em que referimos acima estabelecem que os indivíduos façam construções ou desenhos, simbolizando coisas que possam conectar diferentes objetos: pegada (rastro) e homem, casa e habitante. Trata-se de uma relação que emprega a metonímia, o indivíduo, troca uma palavra pela outra, devido às relações de contiguidade, isto é, proximidade do vestígio com a coisa ou lugar.
Tal desenho só tem sentido quando gravado em um objeto particular; é através da relação metonímica de lugar que ele ganha sentido. O mesmo acontece com a moradia que simboliza seu habitante, ou a pegada e o homem (TODOROV, 2014, p.381).

A relação de associação entre um nome e uma coisa faz com que o indivíduo considere que tal realidade é parte da outra. Neste sentido, “todo ataque ao nome (ou ao símbolo) – é um ataque ao ser – pois um faz parte do outro” (TODOROV, 2014, p.382).
Nesta perspectiva, temos também as representações e imitações, cujo indivíduo, coloca em pratica aquilo que ele desejaria que acontecesse. Para isso ele evoca palavras, faz gestos e se comporta de modo previsto, segundo sua vontade, isto é, suas ações criam a realidade.

Do fato de o simbolizante ser parte do simbolizado: representar ou dizer uma coisa já é fazê-la existir. Assim, as predições se realizam não porque os adivinhos saibam ler o futuro, mas porque essas palavras dão vida ao que designam (TODOROV, 2014, p.383)

De acordo com acontecimentos inesperados, o indivíduo busca a todo instante certo equilíbrio e ao se deparar com situações desconfortáveis, todo esforço é concentrado no sentido que se estabeleça a igualdade com aquilo que o sujeito reconhece como justiça. Todorov nos aponta esta conexão da seguinte forma “Eis-nos, portanto, diante de uma nova relação, própria dos sistemas de símbolos; poderíamos chamá-la de equivalenciação” (TODOROV, 2014, p.385).
O indivíduo pode corporificar várias coisas a partir de uma frase que seja por ele pronunciada ou que tenha presenciado. Neste caso, a sentença do tempo atual simboliza todas as outras e as tornam presentes, mesmo que estejam ausentes. Trata-se do termo de condensação de Freud, citado por Todorov:

A condensação é a relação entre uma frase presente e uma ou várias frases ausentes (que a primeira simboliza segundo este ou aquele processo) (...) é uma relação entre duas ou mais unidades, todas presentes (TODOROV,2014, p.404).

Assim, o indivíduo toma para ele via representação, palavras, frases, objetos e coisas, que possam acrescentar nele o sentido da grandiosidade. Ele se constrói como pertencente a um universo maior, criador de uma nova realidade, na qual, se posiciona como aquele que é justo, revestido de valores ideais. 


[1] Georg Friedrich Creuzer foi filólogo, arqueólogo, orientalista e mitólogo alemão. Filho de um encadernador de livros, estudou na Universidade de Jena indo em seguida para Leipzig onde deu aulas particulares. https://pt.wikipedia.org/wiki/Georg_Friedrich_Creuzer Acesso em 22 de abril de 2017.
[2] Recurso expressivo em que se associa o sentido de uma palavra a outra, à qual é dado um  sentido diferente do literal (é o que acontece, por exemplo, na comparação, metáfora ou metonímia).  Do grego trópos, «volta; desvio», pelo latim tropu-, «idem» https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/Tropos.  Acesso em 03 de julho de 2017.
[3] Recurso expressivo que se baseia numa relação de compreensão em que se designa o todo pela parte ou a parte pelo todo, o plural pelo singular ou o singular pelo plural, etc. (ex.: o homem por a espécie humana) Do grego synekdokhé, «compreensão de várias coisas ao mesmo tempo», pelo latim synecdŏche-, «idem» https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/sin%C3%A9doque  Acesso em 03 de julho de 2017.


Nossas conquistas são probabilidades ou vontade do universo?



Nossas conquistas são probabilidades ou vontade do universo?

                                               “Nosso conhecimento é probabilístico”[1].

O grande teórico norte americano Dain Heer[2], autor de vários livros, entre eles, “Sendo Você, Mudando o Mundo” espécie de manual de barra de access com infinitas possibilidades. E dentro deste universo, ele defende que: o ponto de vista humano pode criar realidade.
Para Dain Heer, o fato de indagarmos algo, provoca toda uma reação no universo, pois ele tende a nos oferecer uma resposta sobre a pergunta em questão.  Tudo é possível, porém, em variáveis imediatas até infinitas de tempo, e sua frase preferida seria parafraseando o texto bíblico: peça e receberás.   
Aqui faremos um paralelo entre Dain Heer e a energia quântica do Princípio da Incerteza de Werner Heisenberg, descrito por Vinicius Carvalho da Silva, mestre em Filosofia da Ciência e Teoria do Conhecimento. Segundo a equação de Schrodinger, a chamada partícula de elétron se ramifica em diversas realidades superpostas e respondem as probabilidades segundo as coordenadas espaciais e temporais.
O que significa dizer que o elétron, antes de ser observado, ele existe em todos os lugares possíveis e com todos os níveis de energia possíveis e em todas as velocidades possíveis, mas com distribuição desigual de probabilidades para cada uma destas realidades potenciais:

De acordo com a equação de Schrödinger, podemos inferir que, enquanto não sofrer um colapso observacional, o elétron se ramifica em diversas realidades superpostas, em cada qual apresentará uma maior probabilidade de ser identificado a um vetor que relacione suas coordenadas espaciais (x,y,z) em um espaço de Hilbert com uma coordenada temporal t.2 Ou, seja, de acordo com esse modelo, o elétron, antes de ser observado, existe em todos os lugares possíveis, com todos os níveis de energia possíveis e em todas as velocidades possíveis, mas com distribuição desigual de probabilidades para cada uma destas realidades potenciais.(SILVA, 2014, p.3).

A energia desta partícula (elétron) interage com a natureza ao gerar um campo de força em sua vizinhança quando se move, assim como na pessoa que lhe observa, já que o corpo humano possui trilhões de moléculas e estas por sua vez contem elétrons. Neste contexto, ao fazermos uma pergunta ao universo, logo, como  esta partícula existe em todos os lugares possíveis e nos diferentes níveis de energia e velocidade, o tempo de resposta também pode variar entre o imediato e o infinito.
De acordo com a equação de Schrödinger, todas as probabilidades são concomitantemente reais. Sendo assim, no nível quântico, uma probabilidade deixa de ser compreendida como uma “possibilidade” e passa a ser entendida como uma “potentia objetiva do mundo” (SILVA, 2014, p.3).

Se partirmos do princípio de que podemos acessar possíveis comunicações sem os limites de tempo e espaço, logo, a simples evocação via pensamentos, imagens, palavras ou escritas, estabelecem elos com seus destinatários, mesmo que estejam distantes. Tal conversação ou retornos dependem de infinitos fatores semelhantes aqueles que constroem as realidades, isto é, se encontram em constantes processos de construção e necessitam de certas afinidades de valores para acontecerem:

Nosso conhecimento sobre o nível quântico, de acordo com tal princípio, será sempre “inexoravelmente” limitado. O máximo que podemos obter com relação a estes dados são seus valores prováveis, mas nunca seus valores exatos. (SILVA, 2014, p.4).

Todas as perguntas que fazemos ao universo podem ser interpretadas segundo o princípio de incerteza formulado por Werner Kart Heisenberg, teórico alemão responsável pela criação da mecânica quântica. Nela nunca vamos poder conhecer ou observar com precisão, pois até a própria natureza, de acordo com ele, não possui valores definidos e precisos:
A implicação epistemológica deste princípio é a limitação inevitável do empreendimento intelectual em face da natureza. Nunca conheceremos a natureza com absoluta precisão, ou porque nunca “podemos” observá-la precisamente (como defendem os que postulam que a incerteza é provocada por uma inevitável perturbação entre os instrumentos de medida e os objetos medidos) ou porque a própria natureza não possui valores precisos (como postulam os que defendem a tese de que a incerteza é uma característica necessária, ontológica, da própria natureza quântica). (SILVA, 2014, p.4).

Ao nos interrogarmos sobre se podemos ter um dia maravilhoso, segundo a teoria de Dain Heer, estamos fazendo uma pergunta ao universo, que iniciará a partir deste questionamento, toda uma ação para atender aquele pedido, o que não significa uma resposta imediata, pois depende de uma gama de elementos, cujo indivíduo ainda não possui o conhecimento, e logo, o resultado pode ser um arranjo do que foi possível para aquele dia.
O período de tempo em que o indivíduo desejou ser maravilhoso não depende exclusivamente dele, portanto ele questionou o universo, que devido a incerteza da pessoa, outros dados também podem não contribuir junto a esta realização, assim, o encadeamento não ocorre da forma almejada:
Isto ocorre porque se há incerteza acerca de x, então não posso determinar com precisão nem o estado passado de x, nem seu estado futuro, bem como não posso determinar de modo inequívoco um encadeamento causal entre os diferentes estados de x em diferentes momentos do tempo. (SILVA, 2014, p.4).

De acordo com esta teoria do princípio da incerteza, outra maneira de interpretar pode se dizer que é a realização do objeto desejado por meio da existência de  uma experiencia específica já estabelecida pelo indivíduo, na qual, já determinou de forma qualitativa o que seria maravilhoso naquele dia, valores que o mesmo considera como magnifico, portanto, uma interpretação positiva daquilo que irá presenciar naquele período de tempo: 
Assim, segundo essa concepção, o que confere legitimidade física a um conceito, e significado ao termo que o designa, é a existência de uma operação experimental claramente especificada por meio da qual se estabeleça a aplicação do conceito e, no caso dos conceitos quantitativos, se lhe possa atribuir um valor numérico preciso. Essa interpretação operacionalista estava naturalmente associada à perspectiva filosófica positivista que dominou o cenário intelectual da primeira metade do século XX. (CHIBENI 2005)

Outro exemplo da teoria de Dain Heer, seria perguntar ao universo: Posso gerar paz e tranquilidade onde permaneço? Tais pretensões complexas diante das infinitas possibilidades, após acrescentar o que ele chama de enunciado aclarador: Certo e Errado; Bom e Mau; POD e POC Curtos, Garotos e Aléns Todos os noves, faz o jogo recomeçar.
A ideia pregada por Heer é de que devemos começar deletando qualquer julgamento de nossa mente, uma vez feito isso, estaremos preparados para uma conexão com o universo e sua complexidade, no sentido de ver o mundo como lugar de infinitas possibilidades, desde que o indivíduo possa compreender que sua maneira de agir também faz parte deste universo.
Ao desenvolver a responsabilidade de não julgamento e se identificar com as questões voltadas para alegria de si e de outros, logo, se produz ondas de energias positivas que contagiam o próprio indivíduo e as pessoas que o cercam. Entre os diversos mantras de seu livro, podemos citar: “Tudo vem a mim com facilidade, alegria e glória”.
Tais mantras, aliados aos exercícios de relaxamentos definidos com “barra de access”  que são mais de 30 pontos do corpo para praticar uma espécie de toque ou massagem, torna o individuo muito mais receptivo ao recomeço de novos hábitos saudáveis, alimentados por frases de efeitos positivos, entre elas: como posso contribuir para melhorar o ambiente em que vivo?
De acordo com a teoria de barra de access, ao acessarmos alguns pontos no entorno das orelhas, deletamos informações desnecessária da mente, então, partimos para outros alvos do corpo, onde poderemos melhorar a recepção com o universo, ou seja, ao tocarmos nestes pontos específicos, temos a sensação de voltarmos no tempo e no espaço primordial de origem das emoções e sentimentos. Os sentidos do corpo tendem a uma nova experimentação daquilo que considera como mágico e maravilhoso.
É destes sentimentos ativados que recomeçam uma nova maneira do indivíduo olhar o mundo em que vive, exigindo do mesmo, a repetição deste ritual de toques nos pontos específicos do corpo, até que seus hábitos e modos de agir se transformem em algo capaz de lhe proporcionar alegria, paz e satisfação em tudo o que pratica em seu cotidiano.
O fato do indivíduo poder apagar aquilo que lhe perturba no final de cada dia, promove-lhe a oportunidade de recomeçar novamente de outra maneira com novas possibilidades infinitas. Para isso a teoria de Dain Heer recomenda a insistência em repetir aquilo que deseja ao universo até ser atendido.
Mas o que torna essa teoria de barra de access interessante é como ela aborda o corpo humano, nela a estrutura corporal possui pontos semelhantes ao teclado de um computador, cujo o teórico Dain Heer, chama de “O reino de nós” onde tudo se resume pela escolha do indivíduo.
Na barra de access, temos a banda de implantes, poder, criatividade, conexões, formas de vida, estrutura, esperança, sonhos, consciência, controle, paz, calma, bondade, gratidão, tempo, espaço e comunicação. Cada um destes pontos pode ser acessado pelo indivíduo que deseja melhorar sua recepção junto a estes valores.
Desse modo, deletar ou implantar valores no corpo humano torna se uma possibilidade a partir do toque em pontos específicos. O que ocorre após estas sessões de tempo em que o indivíduo passa massageando tais coordenadas em sua estrutura corporal, corresponde a uma forma de relaxamento, sendo que os efeitos podem variar muito entre as pessoas que submetem a esta teoria, assim como, da compreensão da mesma.
Para Dain Heer, a consciência faz parte de tudo, cujo indivíduo é unidade em tudo, afirma ele, “você é esse espaço entre as moléculas (e átomos) de seu corpo. A parte do átomo que parece sólida é apenas 0,0001 por cento da totalidade do átomo. O resto é espaço, possibilidade e consciência” É neste continuo que se pode navegar, pois, segundo ele, o espaço entre as moléculas e a consciência do corpo pode ser a mesma daquelas que se encontram em uma cadeira, no ar, paredes, prédio, rua, terra, sistema solar, galáxia e no universo inteiro.
Se a consciência faz parte de tudo, logo, o indivíduo também pertence a este universo, no qual estabelece comunicação numa linguagem que, digamos que seja, por conexão ou comunhão com este universo de opções e possibilidades infinitas e desde que possa incorporar nele tais qualidades para alimentá-lo.
De acordo com Dain Heer, o sujeito apenas tem que estar disposto a receber as energias de outra possibilidade, pois ao assumir sua totalidade, a pessoa está aberta para receber tudo, sem exclusões, com facilidade, alegria e gloria, isto é, ele acolhe o bom, o mau, o bonito e o feio.
Toda pergunta ou pedido feito ao universo, logo será levada em consideração se contém julgamento, pois estes impedem a realização daquilo que foi desejado pelo indivíduo. O que aparece é algo diferente ou contrário, pois significa pontos de vistas ajustados ou avaliados que dificultam as realizações.
Portanto, caso o indivíduo receba sua totalidade, menciona Dain Heer, tudo estará bem, então ele passa a existir junto ao universo. No entanto, se ele se comportar com egoísmo e acreditar que é o melhor ou o mais capacitado e que não precisa de outras pessoas, logo, isso não lhe permite receber muito do universo. E esta postura vai exigir do sujeito muito controle e força empenhada para colocar coisas em existência.
Trata-se da maneira de estar no mundo, podemos nos situarmos no comando via egoísmo, julgamentos e avaliações. Assim, teremos que matar um leão por dia e levantar todas as manhãs pensando numa maneira de sair fora desta tarefa exaustiva. De outro lado, podemos escolher a proposta de Dain Heer, isto é, receber o infinito e sua energia de totalidade, uma sensação de estar vivo, livre da responsabilidade de julgar ou avaliar tudo no seu entorno e então gritar: sou um ser infinito e não estou preso numa bolha.
Dain Heer, afirma que é muito difícil viver em uma realidade relacionada a uma constante negociação: “Se eu lhe der isso, o que obtenho?”  E “Se eu aceitar isso, o que tenho que dar a você?” Há outra alternativa segundo ele, pois, como um ser infinito podemos optar por receber tudo, isto significa, que tem de escolher tal opção e pedir ao universo para destruir todas as barreiras que lhe impedem de fazer esta alternativa.
Todos os problemas que temos estão relacionados aquilo que não estamos dispostos a receber, assegura Dain Heer, já que na realidade, temos que nos lembrar constantemente o que escolher ou receber. De acordo com ele, não somos ensinados sobre o fato de sermos uma unidade em tudo o que existe, logo, nada deve ser julgado.
Dessa maneira, aceitando a totalidade da energia do ser infinito que somos, sentiremos a presença de como é estar vivo segundo Dain Heer. E teremos a bondade, o cuidado, a gentileza e a alegria da incorporação no próprio corpo de uma vontade de receber, saber e ser muito mais, sem nenhuma recusa.
Nesta teoria, o indivíduo não deve buscar uma resposta, apena receber a energia daquilo que desejou e refletir sobre se estaria disposto a ganhar sem preconceber o que teria que granjear para ter o que deseja.  Deve estar preparado para receber sem projeções, expectativas, separações, conclusões, julgamentos, rejeições ou respostas prontas de como aquilo que pediu deve ser ou parecer.
De acordo com Dain Heer, somos seres de unidade, sendo assim, o indivíduo deve se importar com ele e com tudo que se encontra a sua volta, pois essa é a única maneira dele ter alegria na sua realidade, isto é, buscando envolver -se e respeitando as escolhas dos outros. Preocupar se com você mesmo e com os outros é algo maior e caminha lado a lado com a alegria segundo Dain Heer. Sem isso não temos abundância ou conexão com o universo para as novas possibilidades, pois é dessa comunhão com a totalidade que gera a jovialidade para viver.
Neste contexto, o individuo pertence a unidade, na qual existe tudo e nada é julgado.  Quando você se separa, também cessa de existir essa conexão com o universo e as coisas parecem ficar pesadas. O contrário disso, buscar coisas verdadeiras e conectadas com a unidade, podem produzir uma sensações e sentimentos de eventos bons, leves ou prazerosos. 
A problemática do indivíduo seria: como posso viver neste estado de gratidão constante de preocupação consigo mesmo e com os outros? Que espaço ou pessoa que conheço na qual poderei vivenciar isso? Para Dain Heer, somente o universo lhe pode oferecer pistas, portanto, peça a ele, sua função é solicitar que isso aconteça e fazer as perguntas.
Perguntar, escolher e ir adiante, desse modo, muitas vezes alerta Dain Heer, você terá que pedir e mobilizar a coragem para ir caminhando, pode até reduzir seu ritmo, mas não deve parar o sujeito. Neste sentido, o individuo estará criando a vida e o mundo de forma verdadeira, da forma que ele gostaria que fosse e no qual, ele também faz parte. 
Concluindo, somos resultados das probabilidades daquilo que nos constituem, isto, desejos, julgamentos, avaliações e escolhas. A cada escolha, decisão ou forma de agir, recebemos com a configuração integral todo o pacote que acompanha tal opção desejada. Por exemplo: decidimos trabalhar em troca de uma quantidade de dinheiro no final do mês, não importa o valor deste salário pouco ou muito, pois aquilo que acompanha esta tarefa, na maioria das vezes, não é pensada pelo indivíduo, já que ele estava concentrado em sua necessidade de um valor monetário para sua sobrevivência.
Neste sentido, todos os problemas e possíveis reclamações pertencem ao contexto que acompanha este trabalho escolhido pelo indivíduo, que o sujeito só vai dar conta, assim que realmente começa sua função na empresa. E para resolver tais coisas indesejadas, ele começa por rejeitar aquilo que não concorda ou que não tem como modificar.
E para resolver isso, Dain Heer, nos oferece a dica: delete tudo o que lhe perturba e escolha novamente. Faça uma nova demanda de desejo para o universo e todos os dias peça para destruir o que não está bom e recrie novamente, solicitando ao universo.


CHIBENI, S. (Certezas e incertezas sobre as relações de Heisenberg). Rev. Bras. Ensino Fís. vol.27 no.2 São Paulo Apr./June 2005.
HEER, Dain. Sendo você, mudando o mundo. Editora: Katarina Wallentin, USA, 2015.
SILVA. Vinicius Carvalho da O “PRINCÍPIO DE INCERTEZA” DE WERNER HEISENBERG E SUAS INTERPRETAÇÕES ONTOLÓGICA, EPISTEMOLÓGICA, TECNOLÓGICA E
ESTATÍSTICA Vinícius Carvalho da Silva Doutorando e Mestre em Filosofia da Ciência e  Teoria do Conhecimento Scientiarum Historia VII . 2014 . ISSN 2176-1248




[1] O “PRINCÍPIO DE INCERTEZA” DE WERNER HEISENBERG E SUAS
INTERPRETAÇÕES ONTOLÓGICA, EPISTEMOLÓGICA, TECNOLÓGICA E
ESTATÍSTICA Vinícius Carvalho da Silva Doutorando e Mestre em Filosofia da Ciência e  Teoria do Conhecimento Scientiarum Historia VII . 2014 . ISSN 2176-1248


Visões liberais, agônicas e de catástrofe sobre o mundo atual

                                                                                                                                            ...