Autoridade Simbólica

                                                                                                               Joaquim Luiz Nogueira



Não se trata de uma pessoa, porém, de uma autoridade simbólica. Ela é um título que se identifica com aquele que deve agir como um prolongamento ou acréscimo da instância simbólica na qual é representante. Encarnado nesta autoridade simbólica que fala através do corpo e por suas palavras, cujo ato, praticamente, anula o ser vivo, enquanto este se identificar com o mandato simbólico que lhe confere autoridade a sua pessoa.
O órgão sem corpo que discursa através da pessoa, cujo suporte, é algo fantasmático, permite apenas uma pequena visão da lacuna que mostra um ser vivo com inconsistências múltiplas. Trata-se de um sujeito controlado por um agente mítico – invisível ou figura fantasmática.
A pessoa real na qual se corporifica neste título age como a personificação desta instância fictícia irreal, sendo um substituto da autoridade simbólica pública, isto é, da aparição espectral invisível que age na sombra, invisível aos olhos do público.
Uma vez corporificado por esta instância simbólica, ele deve irradiar onipotência espectral em seu mandato simbólico, pois segundo Kant, diante do fracasso da representação, deve se usar a palavra “adequação” pois incita o entusiasmo. Porém, Habermas, em sua ética do ideal de comunicação, pressupõe que “o ideal de uma comunicação, já se realizou e que se deve acreditar e agir neste sentido.  

O Garimpeiro e o Mercador


Texto de Slavoj  Zizek 

Nosso terceiro exemplo vem da “vida real” em sua forma mais brutal: os atos de violência (tortura e assassinato nas comunidades de garimpo na bacia do rio Amazonas. Estamos falando de comunidades isoladas em que é possível observar a lógica das relações de poder e da erupção da violência em condições de laboratório. Por assim dizer. Essas comunidades consistem  numa multiplicidade dispersa de garimpeiros individuais; embora nominalmente sejam livres empreendedores, todos dependem do mercado local, que monopoliza o comércio na área. Os mercadores lhes vendem comida, ferramentas e outros utensílios; e compram deles suas pepitas, todos têm dívidas altíssimas com os mercadores, que não as querem liquidadas, pois todo o poder que exercem está baseado na dívida permanente dos consumidores. As relações sociais nessas comunidades são reguladas por uma dupla ficção, ou melhor, pela coexistência sobredeterminada e paradoxal de duas ficções incompatíveis. De um lado, temos a ficção da troca igualitária, como se o garimpeiro e o mercador fossem dois sujeitos que se relacionam no mercado em termos iguais. O anverso disso é a imagem do mercador monopolista como Mestre patriarcal que cuida de seus consumidores, sendo estes quem pagam aquele por esse cuidado paternal, com amor e respeito. Por trás dessa ficção contraditória existe, é claro, a realidade do monopólio dos mercadores, de sua exploração brutal. A violência que eclode nessas comunidades de tempos em tempos se dirige principalmente contra quem representa uma ameaça ao frágil equilíbrio dessa ficção dupla: os alvos preferidos dos mercenários do mercado não são as pessoas incapazes de pagar suas dividas, mas sim quem tenta sair da região  ainda endividado, especialmente quem teve êxito e agora tem condições de liquidar sua divida – essas pessoas são as que mais ameaçam o poder dos mercadores. (uma situação típica é um mercador mandar chamar um garimpeiro cuja divida é muito alta e lhe propor cortar sua divida pela metade se ele atear fogo na casa de outro garimpeiro bem-sucedido.) o que temos aqui é um caso exemplar de como o desejo se inscreve na ambiguidade (....) o desejo oficial do “mercador” é que seus clientes paguem suas dívidas o mais rápido possível – ele os acossa por estarem  atrasados no pagamento -, mas seu verdadeiro temor é que os  endividados lhe paguem, isto é, seu verdadeiro desejo é que todos continuem endividados indefinidamente.

Fonte: Slavoj Zizek, Interrrogando o Real p. 248 -249 . Belo Horizonte: Editora Autêntica, 1ª Ed. 2017. 

O Sopro ou Alma que Habita o Corpo Matéria

Joaquim Luiz Nogueira

A alma como produto construído pelo “Todo Infinito”, compõe-se como elemento programado e reprogramado por segmentos deste complexo em construção. Ela representa a diversidade deste infinito em construção e atualizada constantemente para atuar de acordo com as possibilidades oferecidas pelo “Todo”, cuja missão, está mais próxima de um teste, pois sua ação se junta ao projeto de origem em dimensões cósmicas.
A escolha da matéria para incorporação deste sopro é programada por decisões advindas do “Todo” e atende as demandas da diversidade, sendo a sua liberdade e o conhecimento, também elementos planejados por sua origem. A natureza da matéria, algo que também significa processo de construção do “Todo” e se vincula ao projeto de diversidade infinita, cujo controle representa os interesses vencedores em momentos cósmicos.
 A vida como produto do “Todo Diverso e Infinito”, programada e reprogramada pelos interesses advindos de ações originárias dos segmentos cósmicos, sendo esses, responsáveis pela fabricação da realidade concreta (matéria). Algumas vidas que não correspondem as perspectivas e interesses de sua origem ou que já cumpriram sua missão, são descartadas e se tornam “resíduos”.  Tais detritos são incorporados ao “Todo” e poderá compor novas vidas.
O Universo denominado como “Todo diverso” evolui de forma total  e cria realidade, segundo as forças vencedoras em cada etapa, desse modo, cada contexto real significa o resultado de lutas travadas em outras dimensões. As forças derrotadas não são eliminadas, elas continuam como resíduos aguardando possibilidades para atuarem após certas correções em supostas falhas, então, projetam-se novamente para criação de novas realidades concretas que representem suas vontades.
Cada forma de vida existente no mundo real faz parte de um projeto advindo do “Todo Diverso”. Trata-se de idealizações de segmentos, no qual, projetaram suas incorporações na matéria, sendo que, cada forma de vida carrega parte dos desejos cogitados em algum segmento do “Todo”.
O corpo ou a matéria criada para atender esses anseios advindos de parte do “Todo”, caso não consiga atender sua programação para criar realidades concretas, pode ser descartado enquanto matéria e retornar como força para o segmento de origem.
Tal “força” ou essência não há fim no universo do “Todo Diverso”, cujo retorno em outra matéria depende dos projetos dos segmentos que compõem a totalidade cósmica. Temos que salientar que a matéria na qual a força ou sopro se incorpora não oferece estrutura suficiente para compreender o projeto da qual faz parte enquanto realizador da vontade daqueles que te enviaram ou talvez, seja você mesmo que mergulhou para esta missão.
O segmento projetor do sopro, responsável pela projeção ou vida, dificulta a comunicação deste último com sua origem, assim a vida torna-se uma espécie de espelho que reflete os anseios de sua fonte, porém limitado pela matéria ou corpo. Para que o sopro possa ampliar o entendimento de seu criador, ele deve acrescentar conhecimentos advindos do projetor e para isso, inventar novas ferramentas que possam traduzir a linguagem da origem, ou seja, apoiar-se a outros espelhos refletores que facilitem a leitura.
Outra saída para melhorar essa comunicação seria uma viagem pelo fluxo de luz até o projetor e retornar para a matéria e conseguir traduzir a linguagem que vivenciou, na maioria das vezes, não existem palavras para comunicar tal informação.

O ser humano e a realidade fantasmática

                                                                                                                Joaquim Luiz Nogueira 




O ser humano enquanto aquele que tem como pretensão a ideia de que vive num tempo real, talvez devesse buscar entender um pouco mais sobre o quanto ele é dependente do elemento mediador ou da linguagem simbólica para avançar neste processo pulsante que se denomina como vida.

O simbólico mostra para o ser humano o peso daquilo que lhe está ausente, a ferida aberta, o grito que tenta organizar indicando o rumo. É a voz que segundo Jaques Lacan, denomina-se de o grande Outro, sendo a fala advinda da cultura, família, tradição, entre outras destes segmentos.

O clamor daquilo que está ausente no ser humano e que se torna uma espécie de elemento responsável pelo seu movimento de corpo, assim como, pela organização de sua rotina, transforma o ser vivente em algo que nunca está completamente satisfeito, por mais que faça, algo está sempre faltando.

O problema está na sua incapacidade de capturar por completo aquilo que sua imaginação anseia e até visualiza em imagens deslumbrantes, porém, não consegue dar conta da compreensão desta linguagem que está além de seu limitado corpo. Lacan chama isto de real ou resíduo que não pode ser eliminado, nem capturado.

E por último, o ser humano que pensa ser o construtor de seu caminho, portanto, com seu esforço, ele cria toda uma gama de objetos materiais, e assim, cerca seu espaço com relações de proximidades com a realidade imaginada. Dessa maneira, sua realidade fantasmática se aproxima da realidade por meio da representação ou da interpretação de papéis ideais.

Tanto o cenário do mundo, tal como o corpo, ambos são bastante frágeis para abrangência de uma imaginação tão fértil, o que indica vestígios que o real que não damos conta de capturar e nos empurram para uma realidade fantasmática, de algum modo, também, testemunhe certo vínculo, talvez, o avatar de si mesmo, que comanda de outro tempo e espaço.

Fotografia, imagens e símbolos.



                                                                                                           Joaquim Luiz Nogueira 

Segundo Jean - Marie Floch, a fotografia pode ser analisada de forma referencial ou interpretativa, assim como de forma construtiva numa visão utópica ou mítica.  Para Philippe Dubois, o referente real é sentido como dominante na fotografia, pois como afirma Barthes, ela é emanação do referente. Na linguística, o referente significa: o elemento do mundo extralinguístico, real ou imaginário, ao qual remete o signo linguístico, num determinado contexto sociocultural e de discurso.
A interpretação da fotografia a partir do ângulo das aparições do referente é descrita por Roland Barthes no seu livro Câmara Clara, Dessa forma, temos as seguintes modalidades denominadas de choque ou surpresas: raridades, gestos decisivos, proeza, técnica e descoberta. Elas são rupturas de expectativas ou surpresas perceptivas.
Para Barthes, a fotografia é “convivência de contrários”, que se estende desde o nível de materialidade mais evidente até o nível de maior complexidade e abstração. Os pontos de vista do fotógrafo de acordo Lucia Santaella: são sempre histórica e culturalmente convencionados.
A foto como fragmento,segundo Santos Zunzunegui no livro Pensar la imagen,  também significa a eleição de um espaço que se decide mostrar e a eliminação do espaço que fica além dos limites  do enquadramento. Sontag, afirma que o triunfo da foto está em descobrir a beleza no humilde, no inepto e no decrépito. Para ela, fotografar é redimir o simples, o banal e o modesto, ou seja, ampliar a realidade inacessível.
Santaella nos lembra que fotografia é registro e traço,algo que mostra a realidade como jamais havia sido vista antes. Ela é vestígio e revelação, significa o aspecto diferente que as coisas têm quando fotografadas. Jean  Arrouye fala que “a fotografia desborda o real de sua realidade”, pois segundo Susan Sontag, alteram nossa apreensão da realidade e também cria novos modos de produzir e interpretar as próprias fotos.
De acordo com Dubois, a força que trabalha subterrânea na fotografia e que  está por trás das aparências, é a mesma que funda o desejo humano. É uma presença afirmando uma ausência, e esta última, afirmando a primeira. Dessa maneira se constitui segundo ele, o próprio desejo ou o milagre.
Para Santaella, a fotografia é o acesso instantâneo ao real. Pois Sontag nos fala que possuir o mundo sob forma de imagem é voltar sentir a irrealidade e o afastamento do real. Significa reabrir uma brecha de nossa alienação, que em primeiro lugar tomamos distância para o encontro com o real que se revela de forma exorbitante, mas na fotografia, o distante, o afastado ou perdido não se incorpora.
Na fotografia, duas forças antagônicas coexistem segundo Santaella, seria o movimento de atração ou fusão com o real e o movimento de recuo, ou seja, separação e corte. Para Dubois, a fotografia se emana do objeto, mas permanece separada dele, trata-se do limite entre o real (objeto) e sua representação (fotografia) algo que é intransponível, ou seja, uma separação entre o ali daquilo que ele (objeto) indica e o que está nele representado.
A fotografia é o poder humano de duplicar as coisas visíveis de acordo com Zunzunegui, reprodução imagética do visíve ou povoamento de duplos, réplicas do imaginado e do invisível. Para Santaella, fotografia é um signo, pois referencia aquilo que está fora dela e que ela registra, Isto é, tem relação com aquilo que é por ele (signo) indicado ou que está nele representado.   
De acordo com Santaella, a fotografia funciona como signo porque ela representa, substitui, registra e está no lugar de alguma coisa, que não é ele (signo) próprio. Dessa maneira, Santaella completa, os signos e, entre eles, as imagens, são mediações entre o homem e o mundo.
O homem acrescenta Santaella, devido à sua natureza de ser simbólico, de linguagem e falante, a ele, não é nunca facultado um acesso direto e imediato ao mundo. Tal acesso é mediado por signos e suas modalidades, entre elas, a imagem, pois têm o propósito e a função de representar e interpretar a realidade. Vilém Fluser nos fala que signos possuem função de mapas.    
Segundo Santaella, a fotografia tem o caráter de imortalidade, já que cria a onipresença latente, algo fora do tempo e do espaço, em qualquer lugar, em qualquer momento.   Para ela, o objeto fotografado é tragado de outro mundo, significa a morte de um instante capturado de outro tempo, cuja duração é infinita, indeterminada e eterna. O signo, afirma Santaella, pode estar no lugar do objeto, pode indicar o objeto, pode representar o objeto, mas não pode ser o objeto. O signo pode ser até mesmo uma emanação do objeto, mas o objeto continua a ter uma existência independente.      
As imagens se tornam símbolos de acordo com Santaella quando o significado de seus elementos, só pode ser entendido com ajuda do código de uma convenção cultural, assim, primeiro vem o veiculo do signo, depois vem o objeto (que é secundário ou surreal), depois temos a convenção cultural (terceiro ou interprete).
Neste aspecto, a imagem simbólica, segundo Santaella, uma vez degenerada na direção da secundidade é a pintura surrealista. Da mesma maneira, que os símbolos do sonho são, assim, estruturas indexicais da psique, associações das afirmações dicentes (é aquele que aprende) na relação do interpretante da imagem dos sonhos.   

Fonte: SANTAELLA, Lucia e NÖTH, Winfried. IMAGEM, Cognição, semiótica, mídia. 2. ed. São Paulo: ILUMINURAS, 1999.

A fotografia e o ponto de vista do fotógrafo

Foto: Maria do S. Delfiol Nogueira 

                                           
                                                                                                                       Joaquim Luiz Nogueira


A fotografia acima, sendo analisada como recorte, espécie de janela, cujo foco de enquadramento configura a sombra como base física, que mesmo rompida pela linha reta branca e o cinza escuro, permitem o aparecimento de faixas amarelas, e estas, contrastam com a cor da faixa abóbora entrecortada para prolongar a visão em três direções: o contínuo da estrada, a exuberância das cerejeiras e o infinito do céu azulado.
A estrada registrada como base de sustentação, espécie de início em uma mistura de escuridão e relances de raios solares que atravessam no sentido vertical e ao mesmo tempo, chamam a atenção para existência de outra presença e quebra a linha reta branca que direcionava o olhar para o distante ou aquilo que estava indefinido.
Do encontro das luzes amareladas com as sombras, o olhar se deleita com as cores contrastantes que passam do escuro para o verde, sendo completado pelo rosa iluminado dos galhos das cerejeiras, que sem folhas, deixam a visão escapar por pequenas janelas, exibindo um fundo de céu azulado, que diverge com o outro lado da cena fotográfica.
Este fundo de céu azul sob o enquadramento da fotografia contribui para dimensionar os aspectos da profundidade, que guiadas pelas contradições de luz e sombra, esquerda e direita, tem nas cores continuas das faixas brancas e laranjas, um ideia de sentido, logo rompida pelos pequenos relances de raios solares que cruzam a estrada e retiram o olhar desta direção linear e apontam uma riqueza de cores e possibilidades que caminham de forma paralela a esta estrada.  
As observações foram elaboradas segundo as teorias de Jean Marie Floch e Algirdas Julius Greimas.

Caminhos da Serra de Botucatu

Imagens dos caminhos da Serra de Botucatu 
Flor da serra 
Portais 

 Estrada
 Ruínas 
 Ruínas
 Ruínas
 Moradias Antigas 

Chupim do Brejo 
 Estrada cortada por rio 
 Base da nuvem 
 Base da nuvem 

Inteligência artificial: o oráculo moderno


Joaquim Luiz Nogueira 

A “caixa de busca do Google”, principal mecanismo das tendências de mercado e das políticas de investimentos financeiros no mundo, significa algo semelhante a uma evolução do antigo oráculo grego, cujas consultas, possui de um lado um humano desesperado e do outro lado, um complexo jogo de sinais, no qual, o sentido e a solução para os problemas reais, são totalmente decisões daqueles  que fazem as consultas.
Desde a Antiguidade, o homem necessita de uma luz que possa apontar a direção mais adequada para seus passos, pois toda mitologia cósmica serviu para amparar as decisões humanas no passado distante, e hoje, as unidade de “bits” de uma máquina, apontam tendências e motivações, com base em cliques ou palavras digitadas nas caixas de busca da internet.
Os buscadores agem de forma quantitativa ou sob o comando de patrocinadores, que constroem conceitos com objetivo de influenciar as decisões daqueles que buscam respostas prontas. Por trás dessas respostas se encontram grandes investidores financeiros, que semelhante aos grandes ímãs, atraem os desesperados, apressados ou necessitados.
A linguagem do mercado atualmente vem pelo verbo “agregar”, que funciona também como uma espécie de atração, significa encontrar algo que tenha valor, e, em seguida, aproximar seu produto do mesmo, para que o observador faça a junção ou sobreposição, mesclando-se assim numa trama de valores.
Tomar decisões com base nos buscadores da internet, sem conhecer os mecanismos responsáveis pela apresentação desta ou daquela resposta, significa cair na armadilha daqueles que patrocinam as respostas que aparecem na tela de seu computador ou celular.


Justiça vedada no julgamento do Lula


Joaquim Luiz Nogueira

Seguindo a teoria semiótica de Jean Marie Floch, a imagem acima (charge do Jornal Folha de S.Paulo) oferece uma leitura intrigante, pois temos o desenho da deusa da justiça romana, cuja mão direita segura a espada abaixada e ancorada firmemente sobre a mesa do Tribunal Regional Federal 4. Nas três figuras que representam os juízes, da esquerda para direita, temos um careca lendo atentamente um documento, depois vem outro com perfil mais jovem e de cabelo espetado, sendo que no último juiz, o chargista incorpora uma espécie de quipá sobre a cabeça dele, um símbolo da cultura judaica.

Os olhos da deusa da justiça estão vedados, comunicando ao leitor que ela não pode enxergar, então, sobre sua mão esquerda, em vez da tradicional balança que simboliza a justiça, o chargista do jornal apresenta um óculos com um olho em cada lente. As posições desses olhos se desviam dos juízes, parecendo ignorar a presença deles ou simplesmente, já que não pode ver nada, também não quer participar.

Portanto, a decisão pertence ao juiz careca, aquele que segura os documentos com as duas mãos como se estivesse lendo algo, enquanto os outros dois juízes, aquele de cabelo espetado e o do quipá, ambos estão concentrados, já que paira sobre eles a decisão final. 

Fonte: 
http://portaldemandalas.blogspot.com.br/2011/08/deusas-da-justica.html  (veja imagem da deusa da justiça romana).
http://edicaodigital.folha.uol.com.br/
Livros de Jean Marie Floch
Jean-Marie FlochLivrosVisual identities
Visual identities 2000
Semiotics, Marketing and Communication: Beneath the Signs, the Strategies
2001
Sémiotique, marketing et communication: sous les signes, les stratégies
1990
Semiotica, marketing e comunicazione: dietro i segni, le strategie
Identità visive. Costruire l'identità a partire dai segni
Identités visuelles
1995
Les formes de l'empreinte: Brandt, Cartier-Bresson, Doisneau, Stieglitz, Strand
1986
Forme dell'impronta. Cinque fotografie di Brandt, Cartier-Bresson, Doisneau, Stieglitz, Strand
Une lecture de "Tintin au Tibet"
1997
Petites mythologie[s] de l'œil et de l'esprit: pour une sémiotique plastique

1985

O Passado como portador de fragmentos messiânicos


Joaquim Luiz Nogueira

O passado comporta pequenos fragmentos incrustados, que Walter Benjamin usou os termos estilhaços ou lembranças, para nos esclarecer como ele definia o conceito messiânico. Significa que quando apoderamos de uma lembrança, ela se transforma numa espécie entendida como aposta.
Trata-se de uma forma de lampejo que ocorre diante de estado de perigo ou preocupações com ameaças. Funciona de forma que aquilo no qual ordena para o indivíduo, estivesse em outro tempo, uma “força” que poderá entrar em qualquer segundo e oferecer alternativas.
Tais fragmentos passam a fazer a diferença numa interpretação ou escolha, pois impõe – se por meio de reivindicações repentinas que rompem com o tempo, constituindo-se uma “mobilização do acontecer”. Este lampejo trava a história como a conhecemos ao contrariar o regime temporal corrente.

Ao mesmo tempo reconfigura o tempo presente ao criar aberturas para história esquecida passar e inaugura-se o “tempo- do – agora”. Para Walter Benjamin, a ideia de progresso ao avançar deixa escombros, que são apagados pela marcha do mesmo. Ele também descreve  estes lampejos como uma forma luminosa e transitória que desconfigura a ordem das imagens.

O lado invisível que gera felicidade


Joaquim Luiz Nogueira

Aquilo que supostamente conhecemos como eternidade, pode ser também conhecida como linha do sofrimento, isto é, da transitoriedade dos elementos, cujas matérias, passam pela dissolução. Assim, atribuímos valores diversos para aquilo que deriva deste contexto, tais como: destino, sorte ou infortúnio.
Essa linha se movimenta pela condição contextual que provoca o sofrimento, seguida por exigências éticas, que ao reconhecerem qualquer progresso neste campo, nomeia como relampejo de felicidade. Sendo que esta emoção e o seu ritmo, ambas derivam da transitoriedade.
O sofrimento se torna a base paradoxal da felicidade, pois conecta a vida interior da pessoa com aquilo que é eterno, já que, o que denominamos vida é apenas o ritmo de algo transitório. sendo  perecer ou falecer os elementos  moduladores do ritmo da vida.
Felicidade requer libertação de culpa e anulação do próprio sujeito frente à decomposição da própria existência, neste sentido, uma idealização ou a simples aparência, ambas, tornam-se elementos possíveis de estruturação e de organização das ações vindouras para o indivíduo.
È desta linha infinita de transitoriedade e de dissoluções, considerada pelas pessoas também como destino, que oferece ao sujeito o ritmo da felicidade, assim como, pequenas centelhas ou estilhaços, na qual o indivíduo denomina como progresso. Trata-se de uma ação cuja origem possui como base: o futuro e o engendramento do passado no sentido de reparação ou até de vingança.

Fonte teoria de Walter Benjamin – conceito de tempestade – discutido por Judith Butler em “Caminhos Divergentes” Judaicidade e critica do sionismo.   

A Simbolização da Grandiosidade pelo Indivíduo

A Simbolização da Grandiosidade pelo Indivíduo  Joaquim Luiz Nogueira  A construção do Individuo pelo símbolo - Parte 5  Press...